Atletas refugiados: Popole Misenga, o judoca cuja vida foi transformada pelo esporte
Nascido na República Democrática do Congo, ele fugiu durante o Mundial de judô e deixou para trás uma vida marcada por abusos
Nascido na República Democrática do Congo, ele fugiu durante o Mundial de judô e deixou para trás uma vida marcada por abusos
Misenga descobriu o judô em um centro para crianças em Kinshasa, depois de fugir de casa aos nove anos de idade (Foto: COI)
"O judô me deu tudo". As palavras são do judoca Popole Misenga, refugiado da República Democrática do Congo que em agosto compete nos Jogos Olímpicos Rio 2016, como membro da delegação dos refugiados do Comitê Olímpico Internacional (COI).
Misenga fugiu de seu país em meio à guerra que custou incontáveis vidas, entre elas a de sua mãe. Tinha apenas nove anos de idade quando deixou Kisangani, sua cidade natal. Escondeu-se na selva durante oito dias, até ser resgatado e levado à capital, Kinshasa. Lá, em um centro para crianças, descobriu o judô e começou a mudar de vida.
"Quando você é criança, precisa da família para ser instruído sobre o que fazer. Só que eu não tinha", diz ele. "O judô me ajudou a ter calma, disciplina e direção. Me ensinou tudo. É parte da minha vida".
Popole Misenga tinha nove anos quando teve que fugir de casa (Foto: COI)
Misenga dedicou sua vida ao judô, mas sofreu com os maus tratos do técnico, que nas derrotas chegava a trancá-lo em uma jaula por dias, somente com café e pão. Em 2013, no campeonato mundial de judô, no Rio de Janeiro, foi eliminado na primeira fase e por isso ficou sem comer. Ao lado da compatriota Yolande Mabika, que também compete no Rio, decidiu fugir do hotel da delegação e pedir axilo no Brasil.
Após ganhar o status de refugiado, Popole retornou ao judô e atualmente treina no Instituto Reação, fundado pelo medalhista de bronze Olímpico Flávio Canto. Lá, ele e Yolande contam com o apoio de um fundo Olímpico que paga por equipamentos e treino com vistas aos Jogos Rio 2016.
"Quero participar do time de refugiados para continuar sonhando e dar esperança a todos os refugiados, para que consigam esquecer a tristeza. Quero mostrar que refugiados podem fazer coisas importantes", diz Popole.
No início deste mês, Popole e outros nove atletas refugiados foram escolhidos para competir nos Jogos Rio 2016. Além dele e de Yolande, a equipe conta com dois nadadores da Síria, cinco corredores do Sudão do Sul e um maratonista da Etiópia.
Popole e Yolande treinam e estudam português no Rio de Janeiro (Foto: COI)
A delegação dos refugiados compete sob a bandeira e o hino Olímpicos. Como qualquer outra delegação, fica hospedada na Vila dos Atletas e conta com treinadores, médicos e outros profissionais."É um símbolo de esperança para todos os refugiados do mundo", afirmou Thomas Bach, presidente do COI.
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