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Um mundo novo

Atletas refugiados: nadadora que ajudou a salvar 20 vidas compete nos Jogos Rio 2016

Por Rio 2016

No Dia Mundial dos Refugiados, Rio2016.com conta a história de Yusra Mardini, que fugiu da Síria e iniciou uma nova vida após cruzar o Mar Mediterrâneo

Atletas refugiados: nadadora que ajudou a salvar 20 vidas compete nos Jogos Rio 2016

Yusra Mardini é uma de dez atletas que competem no Rio 2016 sob a bandeira do COI (Foto: Getty Images/Alexander Hassenstein)

Há pouco mais de um ano, Yusra Mardini, então com 18 anos de idade, teve que nadar pela sobrevivência ao lado de outros refugiados na perigosa travessia do Mar Mediterrâneo. “Todos no barco estavam rezando. É difícil pensar que você é uma nadadora e pode acabar morrendo na água”, relembra a atleta, que em agosto próximo compete nos Jogos Olímpicos Rio 2016 pela delegação dos refugiados do Comitê Olímpico Internacional (COI).

A história de Yusra é uma das muitas que ilustram o Dia Mundial dos Refugiados, celebrado nesta segunda-feira (20) por iniciativa do COI e da Organização das Nações Unidas (ONU).

Yusra e sua irmã fugiram de Damasco, na Síria, quando a guerra no país se intensificou. Primeiro, viajaram a Beirute, no Líbano. Após uma passagem por Istambul, na Turquia, ganharam o Mediterrâneo para chegar à ilha grega de Lesbos. Hoje ela vive em Berlim, na Alemanha.

Durante a travessia do Mediterrâneo, o motor do bote em que viajavam parou. Com capacidade para 6 pessoas e ocupada por 20, a pequena embarcação corria o risco de afundar. Foi então que Yusra, a irmã e uma terceira mulher saltaram na água e ajudaram a empurrar o bote até a praia. “Apenas 4 das 20 pessoas sabiam nadar”, conta a atleta.

Antes de sair da Síria, Yusra defendeu o país no Mundial (Foto: Getty Images/Alexander Hassenstein)

Projeto do COI

A formação do time dos refugiados é o resultado de um projeto iniciado pelo COI em 2015. Na ocasião, um fundo de 2 milhões de dólares foi criado para ajudar os comitês Olímpicos nacionais na criação de programas especialmente voltados a refugiados. O objetivo final era identificar talentos capazes de participar dos Jogos Olímpicos.

Incluída na equipe Olímpica, Yusra treina atualmente no Wasserfreunde Spandau 04, um dos clubes de natação mais antigos de Berlim. Foi o bom trabalho na Alemanha que lhe valeu uma das dez vagas no time Olímpico dos refugiados.

Yusra Mardini treina em Berlim e compete sob a bandeira do COi no Rio (Foto: COI)

Depois de representar a Síria no Campeonato Mundial de Natação de 2012, Yusra agora espera aproveitar da melhor maneira sua experiência Olímpica. “Vou contar para todo mundo sobre o que passei aqui (no Rio). Quero mostrar que depois da dor e da tempestade chegam dias melhores”.

Outros nove atletas completam a delegação inédita em Jogos Olímpicos: mais um nadador da Síria, cinco corredores do Sudão do Sul, dois judocas da República Democrática do Congo e um maratonista da Etiópia.

Os refugiados competem sob a bandeira e o hino Olímpicos. Como qualquer outra delegação, ficam hospedados na Vila dos Atletas e são acompanhados de treinadores, médicos e outros profissionais.

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