Atletas refugiados: separada dos pais na infância, Yolande Mabika usa judô para superar a saudade
Judoca da República Democrática do Congo, que agora vive no Rio de Janeiro, usou o esporte para superar a dor de ter se afastado dos pais muito jovem
Judoca da República Democrática do Congo, que agora vive no Rio de Janeiro, usou o esporte para superar a dor de ter se afastado dos pais muito jovem
Yolande, no Brasil desde 2013, treina no Instituto Reação, no Rio de Janeiro (Foto: COI)
Yolande Bukasa Mabika nasceu em Bukavu, uma das regiões que mais sofreram com a guerrra civil na República Democrática do Congo, entre 1998 e 2003. Hoje, a judoca é parte da delegação de refugiados do Comitê Olímpico Internacional (COI) que compete nos Jogos Olímpicos Rio 2016.
"No meu país há muito sofrimento, muitas pessoas chorando. Há muita violência, pessoas sendo mortas", diz a atleta, que desde 2013 vive no Rio de Janeiro.
Yolande foi separada dos pais quando criança. Tem poucas lembranças do que ocorreu, sabe apenas que correu o quanto pôde até ser resgatada por um helicóptero. Levada a Kinshasa, a capital do país, ganhou abrigo em um centro para crianças e começou a praticar o judô. "O judô nunca me deu dinheiro, mas fortaleceu meu coração. Fui separada da minha família e chorava muito. O esporte me ajudou a ter uma vida melhor", conta.
Yolande treina no Rio, assim como o compatriota Popole Misenga (Foto: COI)
Ainda em seu país, Yolande passou a se destacar no judô e a participar de torneios nacionais e internacionais. Por mais que o esporte a tenha feito se sentir melhor, sofria com um sistema de treinamentos muitas vezes abusivo.
Em 2013, durante o campeonato mundial de judô, no Rio de Janeiro, Yolande decidiu que já havia aguentado o bastante e fugiu do hotel onde estava a delegação congolesa. Após vagar pelas ruas da cidade, conseguiu abrigo com a ajuda da Caritás Arquidiocesana, entidade ligada à Igreja Católica. Hoje, vive no Rio e treina no Instituto Reação, na zona oeste da cidade.
Yolande sofreu no início e precisou de trabalhos informais para se sustentar. Agora a situação mudou. "O dinheiro do COI ajudou a melhorar minha vida no Brasil. Agora tenho dinheiro para me preparar bem", diz ela.
No início deste mês, Yolande e outros nove atletas refugiados foram escolhidos para competir nos Jogos Rio 2016 sob a bandeira Olímpica. "Minha mensagem para os refugiados é de que não desistam, acreditem e tenham fé no coração."
Yolande e Popole na Vila dos Atletas com Thomas Bach, presidente do COI (Foto: Getty Images/Felipe Dana-Pool)
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