Atletas refugiados: Paulo Lokoro, o corredor que cuidava de gado e agora está nos Jogos Olímpicos
Paulo Amotun Lokoro, do Sudão do Sul, não vem ao Brasil apenas para participar dos 1500m no atletismo. Ele quer a medalha de ouro
Paulo Amotun Lokoro, do Sudão do Sul, não vem ao Brasil apenas para participar dos 1500m no atletismo. Ele quer a medalha de ouro
Paulo Amotun Lokoro treina na Fundação Tegla Loroupe, em Nairóbi, no Quênia (Foto: COI)
Paulo Amotun Lokoro ajudava a família a cuidar do gado no Sudão do Sul quando a guerra civil mudou sua vida para sempre. Ele fugiu de seu país, ganhou abrigo no Quênia e agora, aos 24 anos, vai disputar os 1500m nos Jogos Olímpicos Rio 2016 pela delegação dos refugiados do Comitê Olímpico Internacional (COI). "Meu sonho é quebrar um recorde e ganhar a medalha de ouro", diz ele
Em 2004, o aumento da violência no Sudão do Sul levou a família Lokoro a fugir para o Quênia. No início, tentaram viver com um tio de Paulo, mas no final foram forçados a ir embora. "A guerra começou e nós fugimos. Nos escondemos no mato por um tempo e comíamos apenas frutas. Não havia comida", relembra.
Paulo chegou ao campo de refugiados de Kakuma em 2006, quando se reuniu com a mãe. O campo, localizado no norte do Quênia, abriga 180 mil refugiados, sendo muitos deles crianças que fugiram do Sudão do Sul.
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Paulo conta com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) e do COI (Foto: COI)
Quando frequentava a escola em Kakuma, Paulo se destacou nos esportes, especialmente na corrida. Venceu muitas provas quando adolescente, até que um grupo de treinadores profissionais da Fundação Tegla Loroupe notou seu talento em 2015, durante uma temporada de testes em Kakuma.
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"Antes de chegar aqui eu nem tinha tênis", conta o atleta, que hoje treina com outros quatro compatriotas na Fundação, localizada em Nairóbi, no Quênia. "Treinamos muito, até atingirmos um bom nível. Hoje sabemos o que é ser um atleta."
Paulo está animado com a possibilidade de participar dos Jogos Olímpicos. "Estou muito feliz e sei que corro como representante dos refugiados. Eu era um desses refugiados no campo de Kakuma e agora consegui algo especial. Se eu tiver um bom desempenho, usarei isso para ajudar minha família e meu povo", afirma ele, confiante. "Quero ser campeão mundial."
Paulo treina com a campeã mundial na maratona Tegla Loroupe, em Nairóbi (Foto: COI)
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