Atletas refugiados: Anjelina Lohalith espera que sucesso no Rio 2016 a ajude a rever os pais
Corredora, que fugiu da guerra do Sudão do Sul aos seis anos, sonha construir uma casa para a família
Corredora, que fugiu da guerra do Sudão do Sul aos seis anos, sonha construir uma casa para a família
Anjelina Nadai Lohalith é treinada pela campeã Olímpica da maratona Tegla Loroupe, em Nairóbi, no Quênia (Foto: COI)
"Nunca mais falei com eles", diz Anjelina Nadai Lohalith sobre seus pais, que ela viu pela última vez quando fugiu da guerra no Sudão do Sul, aos seis anos. Hoje com 21 anos e na preparação para representar a delegação dos refugiados do Comitê Olímpico Internacional (COI) nos Jogos Rio 2016, a corredora do 1500m espera que o sucesso no esporte permita a ela rever a família.
Em 2001, Lohalith teve que deixar sua casa quando o Sudão do Sul mergulhou em uma guerra civil e a violência começou a se aproximar de sua vila. "Tudo foi destruído", relembra ela, apenas uma de milhares de crianças refugiadas ou órfãs devido ao conflito. Lohalith chegou ao Quênia em 2002 e se instalou no campo de refugiados Kakuma, onde passou a maior parte de sua vida. Enquanto frequentava a escola primária no campo, começou a correr, um esporte no qual naturalmente se destacou.
Lohalith vive no Quênia há 14 anos (foto: COI)
Apesar de ter vencido diversas competições estudantis, Lohalith só percebeu a própria qualidade quando treinadores profissionais chegaram a Kakuma para um processo seletivo. O objetivo era escolher os melhores jovens para um período de treinos. "Foi uma surpresa", diz ela. "Quando eu estava na escola primária, fazia isso por diversão. Mas durante o processo seletivo eles disseram 'você vai treinar'".
Lohalith foi uma das crianças escolhidas para treinar com a campeã mundial da maratona Tegla Loroupe, na fundação que leva o nome dela em Nairóbi. Lá, a corredora dos 1500m treina com outros quatro atetas do Sudão do Sul que participarão da equipe dos refugiados no Rio 2016. Ainda fazem parte da delegação dois nadadores da Síria, dois judocas da República Democrática do Congo e um maratonista da Etiópia.
Lohalith treina com quatro compatriotas que também estarão no Rio 2016 (Foto: COI)
Lohalith acredita que a equipe dos refugiados vai inspirar pessoas na mesma situação. "Estou feliz porque será a primeira vez que refugiados serão representados nos Jogos Olímpicos. Isso vai inspirar mais refugiados, porque onde quer que estejam verão que não são apenas 'outras pessoas'. Serão encorajados porque verão que podem competir".
Os pais estão sempre nos pensamentos de Lohalith, que espera aproveitar o sucesso como corredora para conseguir ajudá-los. "Se eu tiver sucesso, posso ganhar algum dinheiro para melhorar minha vida e a da minha família. Meu sonho é apenas ajudar meus pais, principalmente o meu pai a construir uma casa melhor".
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