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Um mundo novo

Atletas refugiados: a fuga de James Chiengjiek dos horrores da guerra para o Rio 2016

Por Rio 2016

Atleta do Sudão do Sul fugiu de casa para não ser forçado a combater na guerra civil. Agora, quer aproveitar a presença nos Jogos para ajudar outros

Atletas refugiados: a fuga de James Chiengjiek dos horrores da guerra para o Rio 2016

Chiengjiek vivia em um campo de refugiados quando foi descoberto por uma fundação do Quênia (foto: COI)

James Nyang Chiengjiek tinha 13 anos quando fugiu de casa no Sudão do Sul para evitar ser capturado por rebeldes que recrutam crianças à força para combater na guerra civil. Hoje, 15 anos depois, Chiengjiek se prepara para participar dos Jogos Olímpicos Rio 2016, como membro da delegação dos refugiados do Comitê Olímpicos Internacional (COI).

"Meu sonho é obter bons resultados nos Jogos Olímpicos e também ajudar as pessoas. Eu tive apoio de alguém, então quero fazer o mesmo por outras pessoas", diz Chiengjiek, que será um de dez atletas refugiados a entrar no Maracanã sob a bandeira Olímpica na cerimônia de abertura, no dia 5 de agosto.

Quando tinha 11 anos, Chiengjiek perdeu o pai, um soldado na guerra civil do Sudão. Ele continuou vivendo em casa em Bentiu, onde cuidava de gado. Dois anos depois, quando a guerra e o risco de ser raptado se intensificaram, Chiengjiek teve que partir. "Mesmo que você tenha 10 anos, pode ser recrutado. Eu percebi que não estava bem o bastante para me juntar ao exército, então decidi partir".

(Photo: COI)

Depois de viajar milhares de quilômetros, como fizeram muitas crianças do Sudão do Sul conhecidas como "Garotos Perdidos do Sudão", Chiengjiek chegou ao Quênia em 2002. Lá, foi instalado no campo de refugiados de Kakuma e recebeu o apoio da Agência de Refugiados (UNHCR, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU).

A região montanhosa onde se localiza o campo de refugiados de Chiengjiek é conhecida por seus atletas fundistas. Na escola onde começou a treinar com os alunos mais velhos, seu talento foi logo descoberto. "Foi aí que percebi que eu poderia me dar bem como corredor. Se Deus dá um talento a você, é preciso usá-lo".

Chiengjiek não permitiu que seu talento fosse desperdiçado, apesar de treinar sem os calçados apropriados. "Todos nós nos lesionamos por causa dos calçados inapropriados que usávamos. Então passamos a compartilhar. Se você tem dois pares de tênis, pode ajudar quem não tem nenhum".

Em 2013, a UNHCR contou a ele sobre um processo de seleção que ocorreria na Fundação Tegla Loroupe, batizada em homenagem à atleta queniana campeã mundial da maratona. Depois de se destacar nos testes, Chiengjiek foi aceito e hoje treina ao lado de outros quatro atletas do Sudão do Sul, todos parte do time de refugiados que competem no Rio 2016.

Chiengjiek hoje treina em Nairóbi, no Quênia (Photo: COI)

Chiengjiek diz que quer aproveitar a condição de atleta Olímpico para inspirar outros. "Se alguns de nós tiveram a oportunidade de ir ao Rio, então temos que olhar por nossos irmãos e irmãs. Se você tem uma oportunidade, precisa usá-la da maneira correta".

Da série "Atletas refugiados" do Rio2016.com, leia também:

Biel, o "Garoto Perdido" que encontrou seu lugar no atletismo

A jornada de Rami Anis desde Aleppo até os Jogos Rio 2016