Atletas Paralímpicos fazem do esporte uma grande brincadeira em escola do Rio
Evento em colégio do Transforma festejou a proximidade do marco de um ano para os Jogos Paralímpicos
Evento em colégio do Transforma festejou a proximidade do marco de um ano para os Jogos Paralímpicos
O velocista Richard Browne joga voleibol sentado com alunos da escola do Transforma (Gabriel Nascimento/Comitê Rio 2016)
Na esgrima, a espada é de jornal enrolado. No golfe, o taco e o buraco são feitos de papelão. A bola do futebol de 5 é envolta em um papel de plástico, para fazer barulho.
Os equipamentos que os alunos do colégio Francisca Paula de Jesus, no Méier, Zona Norte do Rio – integrante do Transforma, Programa de Educação do Rio 2016 – usaram para praticar esportes na tarde desta quinta-feira (03) foram todos de brinquedo. A percepção do que se tratam os Jogos Paralímpicos foi, porém, totalmente real:
“Estamos aqui aprendendo sobre amizade, sobre respeito, companheirismo, socialização. E esses são valores que não são importantes só para o esporte, mas para a nossa vida fora daqui”, disse Júlia Oliveira, de 16 anos.
Júlia era uma das cerca de 50 crianças que acompanharam a visita à escola dos atletas Paralímpicos Jason Smyth – natural da Irlanda, medalha de ouro em Pequim 2008 e Londres 2012 nos 100m e 200m categoria T13, considerado o “Bolt Paralímpico” –, David Brown – dos Estados Unidos, recordista mundial dos 100m categoria T11 – e Richard Browne – também norte-americano, prata em Londres 2012 categoria T44.
Neste domingo (7), quando se comemora o marco de um ano para os Jogos Paralímpicos Rio 2016, os velocistas, mesmo pertencentes a classificações funcionais diferentes, correrão entre si, numa competição amistosa na Lagoa.
“Um evento como este é importante porque vejo o futuro do Movimento Paralímpico. Estive no Brasil em 2013 e havia algo como dez pessoas. Hoje isso aqui (o ginásio da escola) está lotado, há muito interesse por parte da imprensa. Percebo que a próxima geração irá se beneficiar muito dos Jogos Rio 2016”, disse Richard Browne.
“Somos todos grandes atletas, independente do país ou da dificuldade. E em todo grande atleta você encontrará uma história pessoal de superação. Este é o ensinamento do esporte: não importa o que a vida lhe apresente, você poderá enfrentar”, disse Jason Smyth.
Diante de uma arquibancada barulhenta, como convém às melhores torcidas, alunos fizeram gols contra o “goleiro” vendado Richard Browne e disputaram uma corrida de ida e volta pelo ginásio contra todos os velocistas – mais o Tom, mascote Paralímpico, que ainda mal terminava o percurso de ida quando David Brown, acompanhado de seu guia, já cruzava a “linha de chegada”.

Inicialmente à distância, mas aos poucos entrando na confraternização, um grupo de observadores do Comitê Organizador dos Jogos Tóquio 2020 acompanhava o evento, com o objetivo de aprender sobre o Transforma. Para eles, a “estrela” foi Igor Azevedo, de 16 anos.
“Eu falei sobre a alegria de participar do programa, da importância dessas convivências com atletas para que a gente aprenda sobre todos os esportes, Olímpicos e Paralímpicos. Falei de como é bom estar recebendo em casa”, comentou Igor, em entrevista sobre a entrevista.