Aquece Rio: percurso e organização do evento-teste de ciclismo de estrada impressionam atletas e dirigentes
Alto nível de dificuldade do evento Olímpico fará da meta de ganhar uma medalha um grande desafio
Alto nível de dificuldade do evento Olímpico fará da meta de ganhar uma medalha um grande desafio
Pelotão enfrenta trecho de subida na Prainha - belas paisagens fizeram parte do percurso do evento-teste (Rio 2016/Alex Ferro)
Atletas e União Ciclística Internacional (UCI) ficaram bem impressionados com a organização e o percurso de 164,9 quilômetros do evento-teste de ciclismo de estrada realizado neste domingo (16) em diversos bairros do Rio. Todos saíram animados da prova e ao mesmo tempo conscientes de que a topografia da cidade - cheia de altos e baixos, além de belas paisagens - vai fazer da missão de ganhar uma medalha de ouro no Brasil um grande desafio. O público, por sua vez, desfrutou de mais uma experiência do Aquece Rio - que reuniu 73 atletas de 15 países – e teve uma prévia do que será uma das provas do calendário dos Jogos Rio 2016.
“Foi uma corrida sensacional. Temos um time forte e tivemos bons resultados. O percurso é bastante desafiador”, disse o francês Alexis Vuillermoz, animado após vencer o evento-teste. “São muitas subidas íngremes, com várias partes planas sob efeito do vento, então é um trajeto bastante completo, muito difícil e bonito para os Jogos Olímpicos”. O belga Serge Pauwels, segundo colocado, concordou com a avaliação. “É um percurso bastante difícil, então é certo que um grande atleta vai vencer no ano que vem”. Mas a dificuldade não impediu o ciclista de usufruir das belezas do Rio. “Tivemos uma linda vista pela costa e em alguns momentos pude apreciar”.

Para os atletas, a competição no Brasil não ficou nada a dever para as principais do calendário da UCI. “A organização foi muito boa. Foi como uma prova da Copa do Mundo. Tudo foi perfeito e a gente tinha muita gente ajudando durante o percurso. Tudo deu certo e tenho certeza de que será a mesma coisa nos Jogos Olímpico”, projetou Vuillermoz. “Por ser um evento-teste, foi uma prova bem organizada, bem montada. O pessoal está de parabéns”, elogiou o ciclista brasileiro João Marcelo Gaspar.
Um ponto que chamou a atenção dos três primeiros colocados, e também dos brasileiros, foi o envolvimento dos torcedores. “Notei muita gente ao longo do trajeto e foi realmente um prazer correr aqui. Deu para ver que as pessoas realmente gostam de ciclismo”, disse o francês Romain Bardet, que completou o evento-teste na terceira posição e recentemente foi destaque de combatividade da Volta da França. “Tinha bastante público e isso motiva a gente cada vez mais. Nosso ciclismo (do Brasil) precisa disso: o pessoal incentivando”, observou João Gaspar.
Os torcedores realmente apreciaram a experiência. Rodrigo Trivelatto acompanhou o evento-teste com filho Antônio, de cinco anos, nos ombros. “É uma oportunidade única para a gente assistir aos Jogos Olímpicos, e desde já começamos a nos familiarizar com os esportes, principalmente por causa das crianças”, disse Rodrigo. Ana Paula Pinto da Silva, que pratica ciclismo, vê a realização das competições preparatórias e dos Jogos Rio 2016 com esperança. “Acho que vai incentivar muitas pessoas a praticar esporte e quem sabe os eventos ajudem a formar futuros atletas”. O argentino Marcelo Tiesa está animado. “Venho seguindo os eventos-teste que estão acontecendo aqui no Rio e espero muito ansioso pelos Jogos".
O chefe de ciclismo de estrada da UCI, Matthew Knight, fez um balanço bastante positivo de tudo o que viu no Rio. “Os organizadores fizeram um trabalho fantástico, colocando tudo em seu lugar certo. A área de competição do ciclismo de estrada é muito grande e estamos felizes de que tudo correu com tranquilidade, sem maiores transtornos”.

O trabalho foi um dos mais desafiadores no que diz respeito aos preparativos, por isso a aprovação de atletas, público e da UCI foi recebida com alegria pelo Rio 2016. “Para o Comitê Organizador foi um evento excepcional, não só de nosso lado – de melhorar nossa operação, trabalhar com nossos voluntários e nosso time de gerenciamento de competição – mas também com a integração da cidade”, disse o diretor de Esportes do Rio 2016, Rodrigo Garcia. “Fazer um evento com mais de 100 quilômetros de ruas fechadas não é fácil. Sem trabalhar com os órgãos de segurança não seria possível realizar esse evento. Estamos muitos felizes”, prosseguiu Rodrigo.
Veja alguns trechos do percurso do ciclismo de estrada por meio de ferramenta interativa com vídeo 360° (a versão completa está disponível aqui):
A líder de competição do ciclismo do Rio 2016, Isabel Fernandes, diz que sua equipe vai lutar para que no ano que vem (quando a prova terá 241,5 quilômetros na disputa masculina) as condições de competição sejam ainda superiores. “É por isso que temos o evento-teste: para podermos melhorar para os Jogos”.
E não só Isabel que pensa no futuro. “Eu espero que as equipes de cada país analisem os dados deste evento”, comentou Matthew Knight. “É um percurso muito difícil e acredito que combina com os melhores escaladores (ciclistas especialistas em terrenos íngremes do mundo”, continuou Knight. “Foi realmente um grande teste e espero estar aqui no ano que vem também. A questão será estar em forma para a subida. Acho que a prova Olímpica vai ser vencida nas subidas e talvez nas descidas”, complementou o atleta belga Serge Pauwels.
Já foram realizados eventos-teste de vela, voleibol, triatlo, remo e hipismo.