Aquece Rio: com formato reduzido, Desafio Internacional de BMX testa principais operações para Rio 2016
Após ajustes no percurso e interrupção por conta da chuva, Mariana Pajón e Edzus Treimanis sobem no alto do pódio em Deodoro
Após ajustes no percurso e interrupção por conta da chuva, Mariana Pajón e Edzus Treimanis sobem no alto do pódio em Deodoro
Evento-teste do BMX mostrou a capacidade de reação do Comitê Rio 2016 a diversos contratempos (Paulo Múmia/Rio 2016)
“Foi um teste completo”. A frase do diretor executivo de Esportes do Rio 2016, Agberto Guimarães, resume o dia intenso para atletas e organizadores no Desafio Internacional de BMX, evento-teste da modalidade para os Jogos Olímpicos, realizado no Parque Radical do Rio, em Deodoro, neste domingo (4). A competição, que teve de ser reduzida por conta do mau tempo, colocou à prova a capacidade do Comitê Rio 2016 para responder a diferentes contratempos, com direito a ajustes no percurso feitos em velocidade recorde e atendimento médico de padrão Olímpico.
“Tivemos de tudo neste fim de semana. Posso dizer que foi o evento em que mais conseguimos testar nossa habilidade de resolver problemas, começando com o protesto dos atletas em relação à pista na sexta-feira até a chuva desta tarde de domingo. Foi uma boa oportunidade para testar todo o nosso grupo, e ver a velocidade com a qual podemos reagir. Além da questão dos ajustes que fizemos na pista, outros importantes testes foram feitos, como as operações de tecnologia e os serviços médicos”, contou Agberto.

As adequações da pista citadas por Agberto se referem à lista de pedidos entregue pelos atletas à Federação Internacional de Ciclismo (UCI) e ao Comitê Rio 2016 após a primeira sessão de treinos realizada na última sexta-feira (2), que consideraram alguns trechos do percurso de alta dificuldade técnica e eventualmente inseguros. A resposta ao problema veio quase imediatamente, e as adequações pedidas foram realizadas já no sábado (3).
“Foi um trabalho espetacular realizado pela RioUrbe. Em menos de 24 horas conseguimos fazer todos os ajustes e, na manhã de domingo, os atletas já estavam aqui treinando. Tanto os homens quanto as mulheres puderam, durante o treino, testar os seus percursos, e nos deram ainda mais informações para trabalharmos. Agora sabemos o que precisamos fazer para que tudo esteja perfeito durante os Jogos”, completou Agberto.
“Com base no que aprendemos aqui, estamos confiantes que, para quaisquer pequenos problemas que encontrarmos, vamos superá-los. Acredito que vamos estar prontos para o Rio 2016. Vamos agora reunir os pontos que devem ser melhorados na pista e também nos demais sistemas testados. É um processo que vai começar imediatamente e seguirá até os Jogos”, disse Kevin Maccuish, coordenador de BMX da UCI.

Apesar das modificações, não havia tempo hábil para a devida compactação do piso nos trechos alterados do percurso masculino. Por isso, a organização tomou a decisão de realizar as baterias apenas no circuito feminino, de 372 metros.
Ao meio-dia, intercalados, homens e mulheres subiram alto com suas bicicletas na rodada de pré-qualificação, dando início à competição. Em seguida, divididos em baterias de oito competidores, os donos dos melhores tempos se enfrentaram na primeira rodada das quartas-de-final. Mas as nuvens que já se agrupavam no céu do Parque Radical do Rio trouxeram a chuva, e o restante da competição teve de ser cancelado.

Com os melhores tempos na rodada única, Mariana Pajón, da Colômbia, Stefany Hernandez, da Venezuela, e Brooke Crain, dos Estados Unidos, levaram ouro, prata e bronze entre as mulheres no Desafio Internacional, assim como Edzus Treimanis, da Letônia, Amidou Mir, da França, e Renato Rezende, do Brasil, subiram ao pódio neste domingo na disputa masculina.
“O evento foi muito bem organizado, e, apesar da chuva, as baterias realizadas foram muito boas. Mesmo com as modificações na pista me senti muito bem competindo aqui. Sempre me sinto bem no Rio. Sei que no ano que vem tudo será excelente. Vai ser um grande orgulho representar o meu país aqui”, contou a colombiana Pajón, campeã Olímpica nos Jogos Londres 2012.

“Senti muito o clima (dos Jogos Olímpicos) aqui. Quando ganhei a volta que completei, já ouvi a galera gritando o meu nome. Gostei muito”, celebrou Rezende, principal nome do Brasil no BMX para o Rio 2016.

Mas não foram apenas as operações esportivas que ganharam destaque no evento. Atentos para o grau de risco de quedas e contusões sofridos pelos atletas durante as competições do BMX, tido como um dos mais radicais do programa Olímpico, a área de Serviços Médicos do Rio 2016 montou uma operação completa, com equipe capacitada para atender a casos de média e alta complexidade, além de ambulâncias e até helicóptero disponível para eventuais remoções.
“Contamos com profissionais da área médica em pontos estratégicos ao longo de todo o percurso, de modo a atender da maneira mais ágil possível caso um atleta sofresse uma queda. De sexta-feira a domingo, fizemos 12 atendimentos, incluindo duas remoções, sem quaisquer problemas”, contou Marcelo Patrício, gerente-geral de Serviços Médicos do Comitê.
O Desafio Internacional de BMX foi o 12º evento-teste dos Jogos Olímpicos Rio 2016, e o primeiro realizado no Parque Radical do Rio, em Deodoro. O próximo será o de mountain bike, que trará mais de 130 atletas de 30 países ao Rio no dia 11 de outubro. Confira o calendário completo em www.aquecerio.com.