Antes dos competidores... lá vão as cobaias
Nas provas de canoagem slalom, uma galera radical tem uma missão estratégica: testar as corredeiras para os atletas
Nas provas de canoagem slalom, uma galera radical tem uma missão estratégica: testar as corredeiras para os atletas
Os gêmeos Welton e Wallan de Carvalho começaram na canoagem aos seis anos (Alex Ferro/Rio 2016)
Há um grupo de esportistas fundamental para o sucesso de competições de canoagem slalom e que faz o papel, literalmente, de cobaia. Essa turma se divide em duas funções: os demo runners, que descem o circuito da prova por trechos, passo a passo, para que os atletas que participarão do campeonato possam acompanhar das margens os pontos que consideram importantes para análise; e os forerunners, que já descem a corredeira como se fosse uma disputa real, para testes de cronometragem e enchimento do canal, entre outros.
Nesta quinta-feira (26), dez brasileiros atuaram como demos e forerunners no Circuito Olímpico de Canoagem Slalom, em Deodoro, que recebe até domingo (29) disputas do Desafio Internacional, em mais um evento-teste da série Aquece Rio.
“Eles fazem a demonstração dos trechos. Nas margens, ficam os atletas inscritos, que não podem conhecer o percurso e descer pelas corredeiras antes de aberta a largada para a competição. Assim, os demo runners abrem a pista”, diz Denis Terezani, gerente de operações da canoagem slalom do Comitê Rio 2016.
A cada prova as corredeiras de um circuito são as mesmas, moldadas pelo declive determinado do leito e pelos obstáculos artificiais colocados para se conseguir refluxos, remansos, borbulhos e espumas. O que varia a cada competição é a localização das “portas”, que são formadas por duas balizas (espécie de varas penduradas por cabos atravessados sobre o leito do rio).
As balizas com as cores verde e branco são para os canoístas atravessarem a favor da correnteza; as em vermelho e branco, para contornarem e passarem contra a correnteza.

No circuito de Deodoro que será usado nos Jogos Rio 2016, quem define onde as portas ficarão é a dupla formada pela francesa Marianne Agulhon (campeã mundial em 1991 na prova K1) e o alemão Thomas Schmidt (campeão Olímpico em Sydney 2000, também na K1). O percurso montado por eles (podem ser de 18 a 25 portas espalhadas em meio à correnteza) que teve dez brasileiros na linha de frente, como demo runners, com suas descidas analisadas por campeões mundiais e Olímpicos.
Nesta quinta-feira à tarde serão disputadas as bateriais classificatórias do Desafio Internacional, com eliminatórias e semifinais na sexta-feira e no sábado, e as finais no domingo – de canoa individual e dupla (C1 e C2), só no masculino, e caiaque individual (K1), no masculino e feminino.
Na C2, os demo runners foram Pedro Aversa e Rafael Souza, e os gêmeos Welton e Wallan de Carvalho; na C1, Felipe da Silva e Thiago Serra; na K1, Fábio Rodrigues e Ricardo Taques; na K1 feminina, Marina Souza Costa e Milene Wolf.

Quem também desceu como demo runner foi o francês Tony Estanguet, tricampeão mundial e tricampeão Olímpico da C1, que está em Deodoro como representante de atletas do Comitê Olímpico Internacional (COI) e também como vice-presidente da Federação Internacional de Canoagem (ICF, na sigla em inglês).
Pedro e Rafael também foram demo runners em uma etapa da Copa do Mundo de Canoagem Slalom na Espanha. Da dupla de C2, Pedro diz que na passagem deles podem ser observadas a altura das balizas e retornos, por exemplo. Milene foi demo runner no Mundial júnior e sub-23 de Foz do Iguaçu, este ano, e lembrou que “dá uma certa ansiedade porque estão todos olhando a gente”.
Welton de Carvalho, de 18 anos, que começou na canoagem com o irmão gêmeo Wallan, aos 6 anos de idade, afirma que o principal é a responsabilidade, porque os atletas precisam comparar tempos, por exemplo, e ver a linha d’água. “Temos responsabilidade porque vamos ser espelho para os outros”, ressalta Welton.