Americano 'made in Cuba' aposta em movimento inovador para bater Arthur Zanetti no Rio 2016
Na cidade para aclimatação, ginasta Danell Leyva investe em diferencial, obcecado pelo ouro nos Jogos Olímpicos
Na cidade para aclimatação, ginasta Danell Leyva investe em diferencial, obcecado pelo ouro nos Jogos Olímpicos
Danell Leyva durante treino na Arena Olímpica do Rio (Rio 2016/Gabriel Nascimento)
A principal promessa da seleção masculina de ginástica dos Estados Unidos nasceu em Cuba. Único medalhista Olímpico da equipe americana de ginástica artística em Londres 2012, Danell Leyva, tem uma carta na manga para fazer bonito na Arena Olímpica do Rio daqui a sete meses. Ele planeja aplicar “o Leyva” – como chama o movimento que criou para as barras paralelas - para garantir o ouro nos primeiros Jogos Olímpicos da América do Sul.
Danell Leyva, medalhista de bronze em Londres 2012
O movimento requer precisão e força impressionantes. Após um giro completo nas barras paralelas, ele precisa se equilibrar em uma parada de mãos (técnica básica, usada para plantar bananeira, com o corpo na linha do pulso) segurando em uma única barra.
“É preciso muita coordenação motora para encontrar o ponto de equilíbrio. É extraordinário ele ter conseguido montar essa sequência. Até onde sei, Danell é o único que fez isso até hoje”Danell desembarcou na cidade-sede do Rio 2016 na semana passada (10 a 17 de janeiro) junto com seus companheiros de seleção para conhecer e familiarizar-se com a Arena Olímpica do Rio, palco da ginástica artística nos Jogos Olímpicos. Em entrevista exclusiva ao site rio2016.com, revelou seus planos para a competição Olímpica.
A história do atleta é inspiradora. A mãe, a ginasta cubana Maria Gonzalez, desertou de Cuba rumo a Miami, nos Estados Unidos, levando o pequeno Danell quando ele tinha menos de dois anos. Lá, Maria reencontrou e se casou com um ex-colega de seleção: Yin Alvarez, hoje treinador. Ele havia se asilado nos Estados Unidos de maneira espetacular, aproveitando uma viagem ao México para fugir atravessando a nado o Rio Grande.
Hoje, além de padrasto, Alvarez é técnico pessoal de Danell Leyva e o principal responsável pelo desempenho do ginasta. As reações enérgicas durante as apresentações do enteado (assista abaixo) fizeram do padrasto um personagem muito conhecido no meio de seu esporte - ele já foi apelidado de "técnico Yinsanidade" (coach Yinsanity, em inglês).
Loucuras à parte, a estratégia tem funcionado para a dupla:
“Temos uma dinâmica muito singular. Sinceramente, não sei o que faria sem essa energia dele durante as competições. Não trocaria por nada”, conta Leyva.
Ele é um atleta em ascensão nos Estados Unidos. Além do bronze no individual geral nos Jogos de Londres 2012, ganhou cinco medalhas em Mundiais. E não pretende descansar enquanto não atingir seu objetivo maior no Rio de Janeiro.
Danell Leyva
O técnico da seleção masculina americana de ginástica, Kevin Mazenka, vê muitos pontos fortes em seu atleta: "Ele tem uma competitividade feroz, é animado e sempre cheio de energia".

Especialista nas barras paralelas, no cavalo com alças e no solo, Leyva planeja usar esses trunfos para superar os principais adversários. Entre eles está o brasileiro campeão Olímpico e Mundial nas argolas, Arthur Zanetti.
Danell Leyva
Com os cabelos pintados de verde e falando português com sotaque - resolveu aprender o idioma sozinho, para " se misturar entre os cariocas" durante os Jogos Olímpicos -, o cubano já se sente em casa no Rio. “A energia aqui é muito boa. Tenho certeza que os Jogos Olímpicos serão muito divertidos. Afinal, é o Rio”, comentou.
O clima de descontração tomou conta até do treino. Americanos e brasileiros protagonizaram uma ‘pelada’ entre os aparelhos do Centro de Treinamento do Time Brasil.
“A gente compete, mas também se apoia e se diverte juntos. Gosto muito deles. São como irmãos”, disse.
A seleção americana masculina de ginástica não é a única a desembarcar no Rio meses antes do torneio Olímpico. Até o fim do mês, as equipes de Portugal (masculino) e Grã-Bretanha (masculino e feminino) treinam com a equipe brasileira no Rio de Janeiro.
Kevin Mazeika

Daiane dos Santos (Brasil)
Criou o Dos Santos, movimento de solo caracterizado por um duplo twist carpado.
Diego Hypolito (Brasil)
Criou o Hypolito, movimento de solo que contém um twist grupado seguido por uma pirueta e meia.
Mitsuo Tsukahara (Japão)
Criou o Tsukahara, um dos movimentos mais utilizados na mesa para salto, que corresponde a um salto mortal duplo com parafuso.
Natalia Yurchenko (Rússia)
Criou o Yurchenko, movimento de solo composto por duas piruetas e meia na segunda fase do salto.
Simone Biles (Estados Unidos)
Criou o Biles, movimento de solo composto por um giro duplo com meia volta.