Após 36 anos, ex-rivais se reencontram em arena do Rio 2016
Agberto Guimarães e Sebastian Coe, que duelaram no atletismo em Moscou 1980, hoje são aliados na organização dos Jogos e estiveram juntos em evento-teste
Agberto Guimarães e Sebastian Coe, que duelaram no atletismo em Moscou 1980, hoje são aliados na organização dos Jogos e estiveram juntos em evento-teste
Agberto Guimarães e Carlos Arthur Nuzman, do Comitê Rio 2016, recepcionaram Sebastian Coe, atual presidente da IAAF, no Estádio Olímpico (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)
Nos Jogos Moscou 1980, eles eram dois profissionais exigentes que duelavam na pista de atletismo - a trabalho, mas movidos pela paixão. Os anos passaram, a cidade é outra, mas algumas coisas não mudaram. Hoje atuando nos bastidores do esporte, os ex-atletas Agberto Guimarães e Sebastian Coe, que competiram na final Olímpica dos 800m rasos há 36 anos, continuam amigos, novamente trabalham juntos e seguem na corrida pela evolução do esporte. A principal mudança? Os dois antigos adversários hoje unem esforços pelos Jogos Olímpicos Rio 2016.
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Hoje presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), o britânico Sebastian Coe visitou o Estádio Olímpico do Rio de Janeiro pela primeira vez neste domingo (15). Na arena, foi recepcionado pelo ex-adversário Agberto, atual diretor de Esportes do Comitê Rio 2016, e por Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Rio 2016. Muito bem-humorado durante toda a visita, o britânico foi só elogios ao que viu.
Ontem, adversários; hoje, camaradas: Agberto e Seb Coe se reencontram no Estádio Olímpico (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)
"Nós fomos atletas e sabemos o quanto um bom projeto pode ajudar os competidores a desempenharem em seu mais alto nível", afirma Sebastian Coe. “Um estádio vibrante e lotado por fãs do atletismo faz os atletas se superarem e elevarem sua performance à altura do que pede a ocasião.”
Coe está no Rio de Janeiro para acompanhar o Campeonato Ibero-Americano de atletismo, evento-teste da modalidade para os Jogos Olímpicos. “Estamos muito satisfeitos com a forma como tudo tem sido conduzido e entregue", contou. "O melhor de um evento-teste é que se pode absorver tudo o que é necessário e aprender durante os próximos 80 dias (até os Jogos)."
Após 36 anos da corrida pelo ouro em Moscou, os olhos de ambos ainda brilham quando ao se aproximam de uma pista de atletismo. Próximos à arena de competição do Estádio Olímpico, palco do atletismo nos Jogos Rio 2016, os amigos relembraram a decisão dos 800m de 1980, quando Coe ficou em segundo, e Agberto, em quarto (o britânico Steve Ovett levou o ouro, e o bronze ficou com o soviético Nikolay Kirov).
"Temos boas memórias daquela corrida. Talvez o resultado pudesse ter sido melhor para nós dois", brincou Agberto. Coe, sorrindo, concordou: "Uma posição acima para cada um de nós teria sido ótimo". E acrescentou: "Mas estamos muito velhos para nos preocuparmos com isso agora... Isso ficou na época da TV em preto e branco".
Por alguns minutos, os amigos relembraram, juntos, a arena lotada por mais de 100 mil pessoas na capital russa. “Era um público imenso. Tivemos algumas corridas bem interessantes”, disse Coe, disccretamente sorrindo para Agberto – e referindo-se, claro, aos 800m. O brasileiro parecia rever a multidão do Estádio Luzhniki: “Nunca vi um público tão grande quanto aquele”, disse, relembrando a tensão da subida dos vestiários para a pista. “Parecia que havia alguém me empurrando para a pista, e talvez eu quisesse voltar”, confessou.
O resultado da corrida virou história. Enquanto o quarto lugar foi o mais perto do pódio que Agberto chegou em sua carreira, Coe medalhou outras três vezes. Ainda em Moscou 1980, foi campeão nos 1500m. Quatro anos depois, em Los Angeles 1984, repetiu a dose: prata nos 800m e ouro nos 1500m.
Em sua primeira visita ao Estádio Olímpico, Coe decidiu ir de trem até a arena, desde a Central do Brasil até a Estação Olímpica de Engenho de Dentro, reformada para o Rio 2016. O britânico experimentou a mesma sensação que milhares de torcedores terão durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos.
"Ando todo dia de trem, por que não usaria para chegar até o estádio?", disse ao globoesporte.com, que acompanhou a viagem ao lado do presidente.
Na chegada, andou acompanhado por assessores e por Paulo Funke, líder de competições de atleismo do Comitê Rio 2016, num trajeto de pouco mais de 5 minutos da estação até o Estádio – uma distância um pouco menor que a dos 1500m, prova em que conquistou o bicampeonato Olímpico em Moscou 1980 e Los Angeles 1984. “Ele achou muito bom e muito rápido. Aproveitou para ver o Rio das janelas e esteve sorridente durante o trajeto, principalmente quando passou pelo Maracanã”, disse Paulo Funke, sobre a viagem de trem do britânico.
A primeira impressão do estádio também foi boa. O azul royal das pistas não o impressionou – “sou daltônico”, disse, sorrindo – mas o trabalho na instalação faz o presidente ficar otimista pelas competições que estão por vir.
“A pista é muito veloz, e os Jogos com certeza serão ótimos. A mensagem que este evento-teste deixa é: venham e assistam’. Vocês vão ver alguns dos atletas mais incríveis não apenas desta geração, mas de toda a história do esporte”.
Seb Coe caminhou da estação Engenho de Dentro até o Estádio Olímpico (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)