Abertura dos Jogos Paralímpicos terá energia, ritmo e humor
Responsáveis pela cerimônia afirmam que o espetáculo vai ultrapassar o espírito esportivo e ajudar na integração da sociedade
Responsáveis pela cerimônia afirmam que o espetáculo vai ultrapassar o espírito esportivo e ajudar na integração da sociedade
A cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos Londres 2012 atraiu bilhões de telespectadores de todo o mundo (foto: Justin Setterfield/Getty Images)
Um espetáculo que fique na memória dos possíveis três bilhões de telespectadores, ultrapassando o espírito esportivo de forma a mudar a relação com pessoas com deficiência e ajudar na integração da sociedade. É com essa perspectiva que um grupo trabalha para montar a cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, tendo à frente Marcelo Rubens Paiva, jornalista e escritor; Vik Muniz, artista plástico; Fred Gelli, designer, criador da logomarca dos Jogos Paralímpicos, e Flávio Machado, responsável por grandes eventos como o revéillon em Copacabana.
Tomando cuidado para não revelar detalhes que “estraguem a surpresa”, os quatro confirmaram que as inscrições para voluntários, com deficiência ou não, que queiram participar da cerimônia, estão abertas até 30 de setembro. Deverão ser em torno de 4.000 participantes e já estão cadastrados interessados de países tão diversos quanto Estados Unidos, Senegal, Lesoto, Argentina, Rússia, Sri Lanka e Congo.
Flávio Machado diz que a ideia geral do espetáculo está na frase “o coração não conhece limites” e que o objetivo é “lançar um novo olhar sobre a deficiência”. A definição utilizada pelo designer Fred Gelli para dar uma pista sobre a cerimônia de abertura foi “espírito em movimento”.
A cerimônia será surpreendente, leve e com humor, com muita energia e ritmo desde o início do espetáculo. E, segundo Vik Muniz, é interessante notar que o momento de glória do campeão não é restrito àquelas frações de segundo de vitória e de pódio, mas a histórias de vidas inteiras.
Para Marcelo Rubens Paiva, que é cadeirante e esteve nos Jogos de Atenas 2004 como jornalista, o universo da alta performance é sofisticado em termos de tecnologia, mas basicamente o esporte faz bem também pela integração à sociedade.
Sobre o modo de trabalhar do grupo, o escritor assinala que foram procurados desde responsáveis por shows em Las Vegas até o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) como referência em tecnologia.
Artisticamente irá se procurar o equilíbrio, segundo Vik Muniz, quanto ao espírito de brasilidade e clichês sobre o país. “Nossas referências são mais sobre atitudes, o talento, o jeito de fazer do brasileiro, do que usando ilustrações, mostrando símbolos.”
Quanto à parte técnica, Flávio Machado lembra que toda a infraestrutura do Maracanã, como som, luz, cabeamento, cabos para manobras aéreas será herdada das cerimônias dos Jogos Olímpicos, o que já ajuda. “O que podemos destacar é que o estádio, como não tem pista de atletismo, permite que o público fique mais próximo do espetáculo. O que será mais aconchegante”.