A Itabira de Drummond: chama Olímpica na terra do poeta
Revezamento da tocha Rio 2016 encerra o dia na cidade mineira
Revezamento da tocha Rio 2016 encerra o dia na cidade mineira
Crianças do Programa Drummondzinhos, com a estátua do poeta, em Itabira (Foto: Leonardo Rui/Rio 2016)
“Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.”
Os versos acima do poema “Confidência do Itabirano”, que estão entre os mais famosos de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), eternizaram a cidade natal do escritor mineiro na cultura nacional. O município de pouco mais de 100 mil habitantes, que destaca seu filho mais ilustre em um roteiro especial, será o último a receber o revezamento da tocha Olímpica Rio 2016 nesta quinta-feira (12).
Memorial ao poeta construído no Pico do Amor, em Itabira
Entre os pontos turísticos da cidade, estão a casa em que nasceu o poeta, a fazenda onde ele morou, o memorial construído no Pico do Amor e a fundação cultural que leva seu nome. A superintendente da Fundação Carlos Drummond de Andrade, Cristina Magalhães, compara a obra do autor à energia levada de mão em mão durante o revezamento.
“Para nós de Itabira e principalmente da fundação, Carlos Drummond de Andrade é uma chama que não se apaga. Temos a honra e o prazer de trabalhar na divulgação de sua obra", destaca Cristina. "É por isso que a gente se empenha com o memorial, com a casa, com a fazenda e também com as expressões que fugiram da poesia e caíram no domínio público, como ‘E agora, José?’ ou ‘Tinha uma pedra no meio do caminho’. Drummond é a nossa chama viva."
A Fazenda do Pontal, em Itabira, onde o poeta morou quando criança
Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), a casa onde Drummond morou na infância tornou-se um dos pontos turísticos mais visitados de Itabira, assim como a Fazenda do Pontal, onde ele também viveu quando criança.
Nestes e em outros cenários, como na praça principal e na Igreja Nossa Senhora do Rosário, é possível ver em ação os Drummonzinhos, um projeto social da fundação e da prefeitura para estudantes de áreas de vulnerabilidade social da cidade (é obrigatório ter 85% de nota e frequência na escola para poder participar).
Cada criança e adolescente recebe meio salário mínimo como ajuda de custo e, quando completa 18 anos, pode virar guia turístico do Museu de Território Caminhos Drummondianos, um acervo a céu aberto com 44 placas-poemas distribuídas por diferentes áreas de Itabira.
Uma das placas-poemas do Museu de Território Caminhos Drummondianos, em Itabira
Rafael Madeira, 17 anos, é um destes jovens do Programa Drummondzinhos e fala de um dos seus lugares favoritos deste percurso: “A casa de Drummond, onde ele morou dos dois aos 18 anos, é um dos principais pontos do trajeto do museu, porque aqui é onde ficou toda a sua raiz, sua memória. É a casa em que ele mais gostou de escrever e onde ele mais gostou de passar a sua infância e adolescência.”
Rafael Madeira, do Programa Drummondzinhos, em frente à casa em que nasceu Drummond (Foto: Leonardo Rui/Rio 2016)
A chama Olímpica chega a Itabira após passar pelas cidades mineiras de Naque e Coronel Fabriciano. Na sexta-feira (13), segue por Ouro Preto e Itabirito, além do Instituto Inhotim, um dos maiores centros de arte contemporânea do mundo.