Encantada pelo mundo de eventos, Lucia Peixoto tem nesta sexta-feira (5) o maior desafio de sua carreira: levar ao Maracanã, para a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, um grupo de 10 mil pessoas que inclui chefes de Estado, chefes de governo e soberanos. A lista tem os presidentes da França, François Hollande, e da Alemanha, Joachim Gauck; o secretário de Estado norte-americano John Kerry; a vice-ministra do Conselho de Estado da China, Liu Yangdong; o rei Philipe e a rainha Matilda, da Bélgica; o príncipe-regente Faisal Bin Al-Hussein, da Jordânia, e o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, dentre outros.
Cada dignitário tem direito a um acompanhante e mais dois membros de sua entourage, além de um segurança pessoal e um policial federal brasileiro. Há ainda um oficial de ligação.
Somadas todas as comitivas, em torno de mil pessoas saem de hotéis espalhados pela cidade e se encontram no Palácio Itamaraty, para seguir em comboio de veículos coletivos ou individuais até o Maracanã. Mas o total da família Olímpica é grandioso – alcança praticamente o número de atletas participantes dos Jogos Olímpicos: 10 mil, segundo Lucia.
Esses 10 mil incluem, entre outros, presidente e membros do Comitê Olímpico Internacional (COI), os presidentes dos Comitês Olímpicos Nacionais e das federações esportivas internacionais, os patrocinadores dos Jogos e os diretores das emissoras de televisão oficiais.
A questão é: todos os 10 mil se deslocam para o mesmo local, no mesmo horário, para o mesmo compromisso. Para o desfile de abertura, são esperados outros 12 mil atletas e representantes de 206 países, bem como o Time Olímpico de Refugiados. Há ainda 5 mil voluntários, 300 produtores, 200 bailarinos, integrantes de 12 escolas de samba com 500 ritmistas, cerca de 360 profissionais de maquiagem, cabelo e figurinos e jornalistas. Um número que fica até pequeno num evento que tem
Correndo com a família Olímpica
Os preparativos para a recepção de dignitários começaram há meses e se aceleraram com a chegada do grupo a diversos aeroportos do país, como Galeão e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e Guarulhos, em São Paulo. São 40 em todo o país, todos monitorados e com recepções a cargo do corpo diplomático. Muitos desses visitantes chegam aviões de carreira, mas outros viajam em aeronaves particulares – são pelo menos 30, que ainda podem ir e voltar.
Lucia lembra que, se o presidente norte-americano Barak Obama viesse, seriam pelo menos 30 aviões, com 1.800 pessoas. Os números diminuem bem com a confirmação do secretário de Estado John Kerry como representante dos Estados Unidos. Ainda assim, há delegações imensas, como a do Japão, que se agiganta no Rio porque Tóquio será a sede Olímpica de 2020.
O Dia D de Lucia termina, mas a correria segue: afinal, os dignatários também querem torcer por seus atletas, ver Usain Bolt, assistir a competições de tênis, badminton, futebol...
Experiência garante tranquilidade
Desde a ECO 92, Lucia considera “fascinante” formar e treinar profissionais com base em valores pessoais como ética, responsabilidade, respeito, elegância e gentileza. É um aprendizado de cerimonial e protocolo que considera também alguns conceitos de psicologia, sua formação acadêmica. “Tem muito de intuição. Não existia um manual de operações... O manual soy yo!”, brinca.
O envolvimento com o esporte vem ainda de 1998, em uma primeira visita do COI ao Rio, como cidade-candidata para 2004 – e quando conheceu o alemão Thomas Bach, que chefiava a comissão avaliadora.
Lucia Peixoto entrou em ação nos Jogos Pan-Americanos Rio 2007 e formou uma rede de contatos importante – a principal delas com o Itamaraty, para recepcionar todos os convidados do governo brasileiro. Formatou então um Programa de Dignitários Domésticos e passou a um mais abrangente, incluindo os dirigentes ligados à Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa).
Na Copa do Mundo de Futebol de 2014, Lucia diz que se emocionou muito no final, com os bons resultados alcançados pelo Programa.
“Agora, pelo padrão de atendimento que conseguimos, para mim o Rio 2016 fecha um ciclo, como o maior dos grandes eventos esportivos”, afirma a diretora. “Depois? Bom, acho que vou precisar de um pouquinho de férias!”