A carreira acabou, mas eles continuam nos Jogos
Medalhistas Olímpicos e pan-americanos estão entre os primeiros 50 mil voluntários selecionados para o Rio 2016
Medalhistas Olímpicos e pan-americanos estão entre os primeiros 50 mil voluntários selecionados para o Rio 2016
Alessandra tenta superar a defesa da Austrália durante as semifinais dos Jogos Olímpicos Sydney 2000 (Doug Pensinger/Getty Images)
A adrenalina da competição e o orgulho do pódio representando seu país são experiências que poucos podem ter o privilégio de desfrutar. A pivô Alessandra (com duas medalhas Olímpicas no basquetebol), o velejador Alex Welter (campeão Olímpico em Moscou 1980) e o ginasta Danilo Nogueira (três pódios em Jogos Pan-Americanos) conhecem muito bem essa sensação. E sabem que também há algo especial fora das quadras, raias e tablados nas disputas esportivas. Há convívio e amizade, muito bem representados no papel que os voluntários, que vivem neste sábado (5) o seu Dia Internacional, exercem em eventos como os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Tanto que Alessandra, Alex e Danilo se inscreveram no processo de seleção e foram escolhidos entre os primeiros 50 mil voluntários aprovados para os Jogos Rio 2016.
“Vai ser muito gratificante ser voluntária no Rio. Será uma forma de agradecer por tudo que o esporte fez pela minha vida. O basquete me proporcionou chegar numa seleção brasileira, jogar três vezes os Jogos, conhecer mais de 20 países e aprender três línguas”, diz Alessandra Santos de Oliveira, 42 anos, que atuou pela seleção de basquetebol em Atlanta 1996, Sydney 2000 e Atenas 2004. Uma história contada com uma medalha de prata, outra de bronze e um quarto lugar, respectivamente.
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Apaixonada pela prática esportiva desde a infância, Alessandra concilia seu tempo atualmente entre aulas de basquetebol para crianças das redes municipal e estadual de São Paulo, clínicas onde ensina a modalidade para jovens – muitas delas de forma voluntária -, palestras, treinos de muay thai e partidas de basquete 3x3.
Alessandra de Oliveira, pivô da seleção de basquetebol nos Jogos Atlanta 1996, Sydney 2000 e Atenas 2004
O envolvimento com uma edição dos Jogos Olímpicos, mesmo não participando mais da competição, pode mudar, inclusive, planos pessoais de quem não quer perder a chance de colaborar com o Rio 2016. É o caso de Alex Welter, de 62 anos, um dos grandes nomes do esporte Olímpico brasileiro. Medalha de ouro em Moscou 1980 na classe Tornado da vela, ao lado de Lars Bjorgstrom, Welter (que também esteve em Munique 1972 e Montreal 1976) já tem muito claro na cabeça como vai ser o seu mês de agosto de 2016.
“Quando me inscrevi para ser voluntário no Rio, minha mulher (Giselle) me falou que também queria. Vimos que o aniversário dela vai cair no meio dos Jogos. Sempre comemoramos de uma maneira especial. E em 2016 vai ser mais especial, vai ser no meio dos Jogos Olímpicos”, conta Welter, engenheiro que ainda pratica a vela na Represa Guarapiranga, na Zona Sul de São Paulo, sem se esquecer dos tempos que convivia com atletas e técnicos - que ainda são seus amigos – e, principalmente, voluntários.
Alex Welter, campeão Olímpico em Moscou 1980 na classe Tornado da vela
"É uma turma com dedicação, muita disponibilidade, querendo realmente ajudar”, diz Welter, que já viveu em 2015 um gostinho do que virá no ano que vem, ao atuar com a equipe de arbitragem das regatas da classe Nacra 70 durante o evento-teste do Rio 2016, realizado em agosto.
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Experiência que Danilo Nogueira, 32 anos, está ansioso para viver o quanto antes. Detentor de duas medalhas de prata e uma de bronze em suas participações na ginástica artística nos Jogos Pan-Americanos Santo Domingo 2003 e Rio 2007, o ginasta vê no Rio 2016 a sua chance de participar dos Jogos Olímpicos, momento que ele não conseguiu viver como atleta.
“Participar dos Jogos como voluntário vai ser como fechar um ciclo na minha carreira. É o único evento em que não tive a chance de competir e agora vou sentir a emoção Olímpica de maneira diferente”, afirma Nogueira, que ainda atua como atleta e técnico da equipe de ginástica artística de Santos, sua cidade.
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Desde 1985, a Organização das Nações Unidas (ONU) trata o 5 de dezembro como o Dia Internacional do Voluntário. Uma iniciativa adotada para estimular atividades que aliam espírito cívico e interesse pessoal na dedicação do tempo a projetos de interesse social, sem remuneração. Um movimento que, no Brasil – segundo dados de pesquisa do Datafolha de dezembro de 2014 –, 11% da população diz praticar alguma atividade voluntária. E que envolve todo tipo de gente. Inclusive os atletas que já tiveram o privilégio de viver a adrenalina da competição e o orgulho do pódio.