Última da fila no golfe Olímpico, Victoria Lovelady transforma a ansiedade em música
Golfista brasileira é a 60ª de um ranking que classifica 60 atletas para os Jogos Olímpicos: "Bossa nova me ajuda a relaxar", diz ela
Golfista brasileira é a 60ª de um ranking que classifica 60 atletas para os Jogos Olímpicos: "Bossa nova me ajuda a relaxar", diz ela
Ranking que fecha no dia 11 de julho decide a participação de Victoria Lovelady nos Jogos Olímpicos (Foto: Getty Images/David Cannon)
Quem canta seus males espanta. É assim que a golfista brasileira Victoria Lovelady tenta aliviar a tensão às vesperas dos Jogos Rio 2016. A 50 dias do torneio feminino Olímpico de golfe, a atleta tem outra contagem regressiva na cabeça: em 13 dias fecha o ranking de classificação Olímpica da modalidade - são 60 vagas, e ela é justamente a 60ª colocada na lista.
"Não tem um dia que passe sem que me perguntem dos Jogos Olímpicos", diz Victoria, explicando que a música é uma das válvulas de escape para o nervosismo. "Até quando estou jogando eu canto uma bossa nova na minha cabeça, me ajuda a relaxar", diz a golfista, que transformou a inspiração em uma composição própria, cujo vídeo foi postado na página do Ladies European Tour.
Victoria conta que a criação aconteceu rapidamente: "Levou uma meia hora, mais ou menos. Estava com o violão no quarto do hotel e resolvi compor", diz ela. "Já componho há muito tempo. Quando temos uma inspiração forte, a composição sai rápido", conta a atleta.
O talento da brasileira com o violão ganhou o circuito de golfe. Durante a disputa da etapa da República Tcheca do Tour Europeu, a organização pediu que ela ensinasse samba para atletas e força do trabalho. "Foi muito legal", diz a golfista-sambista, que já "tietou" a estátua de Tom Jobim na praia do Arpoador, no Rio de Janeiro..
A situação de Victoria é de roer as unhas: hoje, ela e a também brasileira Miriam Nagl (58ª no ranking) têm vagas para os Jogos Olímpicos. Caso o ranking se mantenha desta maneira até o dia 11 de julho, as duas disputam o torneio feminino de golfe do Rio 2016. E não seria o caso de receber o convite de país-sede, já que o Brasil só tem direito a essa vaga caso não consiga classificar nenhuma atleta diretamente pelo ranking.
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O drama é que Victoria não tem mais torneios a disputar até o dia 11 de julho. Sem mais pontos para acumular, ela não consegue ultrapassar Miriam no ranking, deixando o Brasil com três possibilidades: ou as duas se classificam juntas; ou apenas Miriam se classifica; ou, caso as duas baixem da 60ª posição, o Brasil recebe o convite de país-sede e a Confederação Brasileira de Golfe (CBG) decide quem disputa o Rio 2016.
O golfe retorna aos Jogos Olímpicos depois de 112 anos de sua última participação, em St Louis 1904. "Todo mundo está nessa contagem regressiva", diz Victoria.
No Rio de Janeiro, o palco do esporte é o Campo Olímpico na Barra da Tijuca, entregue em novembro de 2015 e inaugurado no Aquece Rio, em março, por Victoria e outros oito golfistas. O torneio Olímpico do esporte acontece entre os dias 11 e 14 (masculino) e de 17 a 20 de agosto (feminino).
Victoria foi uma das nove golfistas a inaugurar o Campo Olímpico de golfe (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)
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