A coordenadora criativa Mariana Nagem lembra do processo para fazer a tela de elásticos, num verdadeiro estilo gambiarra: “Três dias antes de um workshop, fechamos com a ideia de uma tela de elásticos. Corremos para fazer acontecer. Compramos pesinhos de pesca e elásticos de costura e penduramos tudo no estúdio da Deborah Colker para experimentar.”
Daniela Thomas: “Quando a Deborah viu, pirou. Em três dias, ela fez uma revolução com esses elásticos.”

Esta enorme tela transparente - que, na verdade, são centenas de longos elásticos brancos - será usada numa coreografia que sem dúvida ficará como uma das imagens mais fortes da abertura da cerimônia. Daniela Thomas pensou nos elásticos para criar uma verticalidade no meio do estádio.
Ela já havia trabalhado com telas parecidas, feitas de filó, nos espetáculos dos anos 1980 “Electra Concreta” e “Navio Fantasma”. Este último, aliás, fez com Abel Gomes, produtor executivo de criação da cerimônia.

As cinco criaturas que entram em cena são de autoria do sul-africano Roger Titley, um dos maiores marionetistas do mundo. A maior delas tem 15 metros de comprimento, pesa cerca de 200 kg e é articulada por 12 pessoas, que levam a criatura nos ombros.
“Não podem ser muito pesadas porque tiraria a concentração da coreografia”, explica Titley. Ele criou um ateliê dentro do Maracanã para finalizar seus bichinhos, tarefa que levou dois meses e meio. As pernas são feitas de alumínio e, o corpo, de um tipo de polietileno. Na foto, eles ensaiam os movimentos. Foto: Rio 2016/Alex Ferro

O palco do Maracanã vira um grande telão para uma das mais potentes projeções já usadas em grandes eventos, com um total de 110 projetores de 20.000 lumens. Para recriar o começo da vida, entra um vídeo aparentemente tridimensional de Susi Sie, artista baseada em Berlim.
Ela usa apenas técnicas analógicas, sem efeitos de computador ou animação, gerando imagens a partir da filmagem de partículas que vibram de acordo com o som amplificado. Para este vídeo, Susi usou pó bem fino sobre uma caixa de som subwoofer, reagindo a diferentes frequências. Filmou tudo em 4K com uma câmera Red Dragon de lentes macro de 100 mm. “Diferentes padrões surgem em função da geometria do objeto e da frequência sonora", explica Susi.

Veja o vídeo de Susi Sie que inspirou seu traballho apresentado na abertura.
Entrando no estádio agora são 10 estrelas do esporte brasileiro: Giovane Gávio (bicampeão Olímpico), Virna Dias, Tande, Fernanda Venturini e Nalbert Bitencourt, que defenderam o voleibol do Brasil em diferentes edições dos Jogos, assim como Flavio Canto, do judô, e Robson Caetano, do atletismo; Maria Paula Silva, a Magic Paula, do basquetebol; a saltadora e velocista Maurren Maggi, todos medalhistas em Jogos, e a triatleta Fernanda Keller.
Eles são acompanhados por 50 jovens entre 11 e 25 anos que já se destacam em seus esportes - ou seja, a futura geração de esportistas do país. Na foto, eles ensaiam no Maracanã, algumas semanas atrás. Foto: Rio 2016/Alex Ferro

Paulinho da Viola é quem canta nosso hino nacional. Começa de um jeito solene e, de repente, vira um sambinha. “Na versão do Paulinho, ficou absolutamente lindo, delicado. O hino brasileiro é maravilhoso, mais bonito do que a gente pensava”, diz Fernando Meirelles. Ao final, entra uma pequena orquestra de câmara com nove cordas, como baixo, viola e violino.

Para fazer o hasteamento das bandeiras, foram convidados 14 oficiais da Polícia Ambiental do Estado do Rio de Janeiro, responsável pelo combate de crimes contra a fauna e a flora.
Fernando Meirelles explica a escolha: “Geralmente, quem faz este protocolo é uma força nacional, como a Marinha ou o Exército. Como gostamos de nos ver como um povo da paz, ao invés de trazer uma força ofensiva, trouxemos uma força defensiva, que é a Polícia Ambiental. Ela ajuda a reforçar a mensagem da cerimônia.” Foto: Rio 2016/Alex Ferro

Nos corredores do Maracanã, uma minifábrica foi montada para criar estes infláveis/objetos de folhas metalizadas. Foram 250 para os ensaios e outros 250 para a abertura, além de alguns extras como medida de segurança. Tais objetos são, na verdade, uma obra de arte do escultor carioca Franklin Cassaro, famoso por fazer performances com seus infláveis.
Cassaro: “O inflável é uma escultura viva, quase um animal. Eles vão executar um ato escultórico. A obra só vai existir como escultura no momento em que for sacudida, mexida de um lado para o outro, desembrulhada”, diz. “E quando acabar a apresentação e ela for embrulhada, fica algo latente no ar.”
Continue acompanhando o Live Blog para saber mais sobre a “Fábrica de Cassaros”. Foto: Rio 2016/Alex Ferro.

A chefe de figurinos Cláudia Kopke contou que este segmento foi um dos mais difíceis de fazer. São mil pessoas de macacão de brim grosso e brilhante, uma roupa inspirada no trabalho de Athos Bulcão. “Quando você transforma um azulejo ou uma pintura numa roupa, as proporções são outras e nem sempre fica bom. Fizemos diversos estudos. Algumas coisas ficavam lindas no desenho, mas não funcionavam como roupa.”
Para conseguir esta cor prateada e azul num tempo hábil, as peças foram confeccionadas numa fábrica na Turquia. “Ficamos naquela expectativa: já pensou se não chegam?”, lembra Cláudia. As peças vieram em meados de julho. Na foto, uma montagem dos figurinos testados (a imagem maior mostra o escolhido).

A figurinista Cláudia Kopke desenhou praticamente todas as roupas da cerimônia de abertura. Formada em letras, a carioca trabalha com moda desde 1980 e já participou de mais de cem produções para cinema, TV, teatro e publicidade. Assinou os figurinos dos filmes "Que horas ela volta?" (2014), “Tropa de Elite” (2007) e "Eu, tu, eles" (1999), além de vários programas da TV Globo, como “Esquenta” e “A Grande Família”, e do recente musical “Chacrinha”.
“O show tem um olhar bem brasileiro, bem elegante, bacana. A Daniela Thomas sempre quis mostrar um Brasil que não é típico, fácil ou mesmo esperado. Muita coisa vem da arquitetura e a construção das roupas teve muito disto”, diz ela.
A dupla de diretores musicais do espetáculo é formada por Antonio Pinto e Beto Villares. Compositor de trilhas de cinema, Antonio Pinto fez a música de “Central do Brasil” (1998), “Cidade de Deus” (2002), “O senhor das armas” (2005) e “Amy” (2015), entre outros. Foi indicado ao Globo de Ouro em 2007, quando concorreu ao prêmio de melhor canção original, “Despedida”.
Em Londres 2012, Beto Villares respondeu pela direção e produção musical da apresentação brasileira na cerimônia de entrega da bandeira Olímpica ao Rio. Beto já fez música para seriados e filmes, como “Xingu” (2011) e “Cidade Baixa” (2005), e assinou a direção musical do projeto “Música do Brasil” (1998 a 2000), um mapeamento idealizado pelo antropólogo Hermano Vianna.

A diretora de movimento da cerimônia de abertura é Deborah Colker, coreógrafa e dançarina premiada internacionalmente, que deixa sua marca na moda, no cinema e no showbiz. Em 2009, assinou a criação do espetáculo “Ovo”, do Cirque du Soleil.
Esta primeira grande coreografia de massa conta com 1.000 pessoas, que vão transformar grandes folhas metalizadas, aquela mesma usada para fazer saquinhos de salgadinho, em objetos cênicos e instrumentos de batuque. Do alto, dá para ver que eles formam a reprodução de uma estampa de Athos Bulcão (1918-2008), conhecido pelos murais de azulejos que deixou em espaços públicos, em especial na construção de Brasília. Na foto, reprodução de painel de 1966, da Torre de TV de Brasília.
O som vai ser deslumbrante, assim, até o final - graças à dupla de diretores musicais da cerimônia, Antonio Alves Pinto e Beto Villares. O estádio escuta agora uma versão contemporânea de “Samba de Verão”, de Marcos Valle.

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