Quem veste Elza Soares é a dupla de estilistas paraibanos Guerreiro e Cavaleiro, hoje com ateliê no Rio. Seu vestido é feito com acrílico espelhado. As backing vocals da cantora usam figurino estilo anos 1960 – como se fossem Elzas mais jovens, de vestidinho preto retrô com franjas de couro.
A música é “Canto de Ossanha”, de Baden Powell e Vinicius de Moraes.

Cristian do Passinho, 13 anos, inicia os trabalhos do segmento POP. Passinho é o nome de uma dança que, nos últimos anos, virou febre no Rio. O garoto foi vice-campeão da Batalha do Passinho e participou do programa de TV “Esquenta”.
A funkeira sensação Ludmilla entoa “Rap da Felicidade”, com os versos “eu só quero é ser feliz, viver tranquilamente na favela em que eu nasci”.
Este é o ultimo desfile de Gisele, para 60 mil pessoas no estádio e outros 3 bilhões de telespectadores mundo afora. No Maracanã, ela deixa um longo rastro por onde passa: linhas delicadas que se transformam nos traços de Oscar Niemeyer em uma série de projeções de seus desenhos e obras icônicas – como a igrejinha da Pampulha, que recebeu o título de Patrimônio da Humanidade no mês passado.
A imagem aqui foi cedida pela Fundação Oscar Niemeyer.
Ao piano, Daniel Jobim, cantor e instrumentista neto do maestro Tom Jobim, interpreta “Garota de Ipanema”.

Alexandre Herchcovitch: “A criação das roupas para Gisele e Regina deu-se a quatro mãos, ouvindo muito o que elas desejavam usar neste momento especial. Todas as ideias foram compartilhadas e discutidas.”
“Encontrei-as pessoalmente para tirarmos medidas, provarmos peças-piloto e, assim, pouco a pouco, as ideias foram se materializando. Eu me inspirei nelas, em suas personalidades e gostos.”
Quem veste Gisele Bündchen é Alexandre Herchcovitch. Ele também assina a roupa de Regina Casé, apresentadora do pré-show – que não foi televisionado. O vestido de Gisele foi feito de minipaetê dourado claro escamado, tecido que o estilista mandou vir da França.
Diz a figurinista Cláudia Kopke: “Gisele é muito mística, falou que queria entrar de dourado. Ela traz uma luz para a cerimônia. E também pediu mangas compridas, para alongar a silhueta”.
Na foto, Gisele acena para o público durante um ensaio no Maracanã na última quarta-feira, ao lado da diretora criativa Daniela Thomas (à direita). Foto: Rio 2016/Alex Ferro

Ao som de “Samba do Avião”, de Tom Jobim (1927-1994), lá vem o 14 Bis de Santos Dumont (1873-1932). Daniela Thomas comenta: “Quando falamos da ocupação e da civilização, quisemos mostrar o que o Brasil moderno produziu. E coroamos a chegada à modernidade com algumas figuras, como Tom Jobim, Santos Dumont, Niemeyer”.
O 14 Bis, criação mais famosa de Santos Dumont, voou por apenas 60 metros, em 1906, mas na cerimônia ele decola de dentro do estádio e voa mais alto e mais longe, pelos céus do Rio de Janeiro dos dias atuais.
Quem representa Dumont é Gustavo Vieira, funcionário que cuidava do sistema de cabos verticais do estádio. Era necessário alguém que tivesse familiaridade com os cabos e que pudesse sair com segurança do avião no final da cena.
Foto: Rio 2016/Alex Ferro

Pedro Kok, 32 anos, formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela USP, em 2009. Já expôs no Museu de Arte Moderna de São Paulo, na Bienal de Veneza e no Centre Georges Pompidou, em Paris. Em meados de julho, ele ainda não sabia como seria a Box City. “A curiosidade fica imensa, mas é sempre assim. Forneço imagens para revistas, jornais ou museus e o resultado final surpreende.”
Pedro (foto) também é diretor de filmes de arquitetura e realizou uma série com Paulo Mendes da Rocha que pode ser vista em seu site oficial.

As fotos incríveis da Box City têm dono: Pedro Kok, brasileiro especialista em fotografia de arquitetura. Para o cenário, ele cedeu 16 imagens de edifícios do Brasil e do mundo, como Paris e Amsterdã, feitas entre 2006 e 2013. Conseguem reconhecer o Pauliceia, da Avenida Paulista, em São Paulo?
Daniela Thomas comenta: “São fachadas que mostram o final da grande epopeia de ocupação e civilização do Brasil. Chegamos à cidade do século 21. As pessoas ocupam, sobem pelas paredes, é uma cidade embalada por ‘Construção’, de Chico Buarque”.
E finalmente chegou a hora da Box City, ou a Cidade de Caixas, uma das joias da nossa cerimônia de abertura! São 73 “caixas” que funcionam como pequenos palcos. Vamos ver muitos shows ali ao longo da noite e temos muitas curiosidades para compartilhar.
Andrucha Waddington: “A Cidade de Caixas foi feita com uma técnica muito simples, de baixa tecnologia, mas muita inventividade. É o nosso espírito da gambiarra.”
Falaremos mais sobre o processo de montagem durante a Parada dos Atletas. Foto: Rio 2016/Alex Ferro

Haja vime! As saias das portuguesas, as malas dos árabes (foto) e os chapéus dos asiáticos foram todos feitos de vime, à mão, no grande ateliê montado no Maracanã. Foto: Rio 2016/Alex Ferro
#MadeInMaracanã

A partir do século 19, italianos, alemães, espanhóis e sírio-libaneses começaram a emigrar para o Brasil. No século 20, foi a vez dos japoneses. À medida que os grupos avançam pelo palco do Maracanã, deixam suas marcas no solo. A floresta é substituída por plantações e a urbanização das grandes cidades vem chegando.
A onda migratória segue com os africanos trazidos à força ao Brasil, onde a escravidão durou 388 anos. As varas que eles levam representam arados e os pesos nos pés são grilhões. Esses objetos de cena foram criados pelo artista Rossy Amoêdo, 39 anos, que já trabalhou praticamente com todas as escolas de samba do Rio de Janeiro (este ano, aliás, foi campeão com a Mangueira).
As varas parecem barras de aço, mas são de alumínio e bem leves. O mesmo acontece com os sapatos: embora aparentem ser pesados, foram feitos de isopor com base de madeira. Rossy, que vem de Parintins, também fez os estandartes vermelhos dos asiáticos e outras curiosidades que ainda veremos no show. Falaremos mais sobre ele.
As rodas dos escravos foram usadas num trabalho anterior da coreógrafa Deborah Colker, diretora de movimento da cerimônia de abertura, com Gringo Cardia. Foto: Rio 2016/Alex Ferro
O colar que os índios usam é uma verdadeira joia, criada pela designer carioca Mana Bernardes. Parece de marfim, mas é feito com lantejoulas de acetato. Foto: Divulgação

Este segmento da festa fala sobre as ondas migratórias no Brasil e começa com os portugueses, que se entrosam com os índios. Os figurinos são os mais elaborados da cerimônia: todos feitos de alfaiataria, em tecido cru, e sempre com algo pintado à mão.
“Montamos um ateliê para criar os pilotos e fabricá-los”, disse a figurinista Cláudia Kopke.
#MadeInMaracanã

O coreógafo Erick Beltrão, 30 anos, ajudou a treinar este grupo de 72 dançarinos vindos de Parintins, no Amazonas. Eles fazem parte do festival dos Bois Caprichoso e Garantido, que se enfrentam anualmente numa arena, mas deixaram as rivalidades de lado para representar juntos a arte indígena na nossa cerimônia de abertura.
“A maioria dos parintinenses tem sangue indígena, dos tupinambaranas, que migraram do Rio de Janeiro para a Amazônia no século 18”, diz Erick. “Somos uma mistura de negro com índio e branco.”
Com os elásticos, eles recriam padrões da arte indígena e terminam com três ocas gigantes.
Imagens






















































































