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05/10/2015

Infância Olímpica

Creche municipal em Bangu introduz o Transforma a pequenos alunos por meio da ludicidade
Infância Olímpica

Claudia (ao centro) e Bruno (à direita) coordenam o Transforma na creche junto com outros professores (Foto: Rio 2016/Daiana Fonseca)

Se a maioria dos jovens do Transforma frequenta os Ensinos Fundamental e Médio, na Creche Municipal Vila União da Paz, em Bangu, na zona oeste do Rio, o caso é diferente. Lá, a idade dos alunos não ultrapassa um ciclo Olímpico, ou seja, quatro anos. A faixa etária e o fato da educação física ainda não fazer parte da grade curricular não foram empecilho para que a diretora da instituição, Claudia Regina da Silva de Deus, 46, e o professor Bruno Costa Rossato, 28, unissem os membros do corpo docente, funcionários de limpeza e alimentação, alunos, seus responsáveis e a comunidade local em torno dos valores Olímpicos e Paralímpicos.

O empenho e envolvimento de todas as partes foi evidenciado na votação que elegeu a tocha para representar a creche no revezamento do Desafio Escolar Transforma. "Quase 100% dos pais e responsáveis participaram da escolha. E foram votando sem saber se aquela tocha tinha sido feita pelos próprios filhos, já que a gente só numerou cada tocha e distribuiu as cédulas. Eles abraçaram o projeto", afirma Claudia.

Em de setembro, o trabalho foi guiado pela dobradinha união e superação – um valor Olímpico e outro Paralímpico. O mote foi perfeito para que os pequenos fossem introduzidos aos aros Olímpicos, não sem antes explorarem o globo e conhecerem a correspondência entre os continentes e as cores do principal símbolo das Olimpíadas. A diretora pontua: "Cada turma produziu um aro de uma cor. Tinham turmas que já estavam trabalhando sobre a África por meio da literatura." A mensagem de paz elaborada para o revezamento virtual da tocha da creche atesta esta afirmação ao fazer uma referência a Obax, personagem africana presente no livro infantil homônimo, de André Neves.

A imaginação geográfica dos alunos foi aguçada também pelo mural do Transforma, construído em conjunto com os educadores. Todos ficam livres para exercitar sua própria referência a, por exemplo, o continente europeu, sempre no contexto dos Jogos. Outros trabalhos desenvolvidos envolvem apresentações ilustrativas de levantamento de peso e ginástica rítmica. Além dos exercícios corporais, as crianças são convidadas a falar sobre o significado do Transforma e de seus objetivos e valores. Toda sexta-feira, o dia Olímpico do centro de ensino, há demonstrações das atividades aos responsáveis e à comunidade local.

Uma curiosidade torna o método de trabalho da Creche Vila União da Paz mais valoroso. Por não existir na instituição a figura de coordenador pedagógico, foi o professor Bruno Rossato quem participou da capacitação teórica do Transforma e levou os conceitos para a creche. Mesmo assim, as formas de implementação do programa na creche são discutidas, planejadas e desenvolvidas por todos os membros do corpo docente. "É como se fosse uma cooperativa. Funciona bem pelo engajamento de todos. Quando chegamos com o programa, apresentamos para a creche toda, inclusive cozinheira, servente, para entenderem nosso propósito. Os Jogos no Rio são um momento histórico e a educação infantil não pode ficar fora disso", ressalta Claudia.

Que os responsáveis pelas crianças, os funcionários da creche e a comunidade de Bangu estejam envolvidos é algo ótimo. Mais importante ainda, no entanto, é o respaldo, talvez ainda inconsciente, dos alunos. A diretora ilustra: "Eles estão gostando muito. Não posso dizer se têm noção da grandiosidade do megaevento, mas, dentro do nosso espaço, se eles veem os símbolos, eles sabem que é a Olimpíada, o que é da África, da Ásia. Se a criança brincou, é porque foi prazeroso."