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09/05/2016

Festival inclusivo Transforma

Público diverso deu o tom na prática de esportes Olímpicos e Paralímpicos oferecida na Rocinha
Festival inclusivo Transforma

Janderson Wagner (à direita, de azul claro) foi pela 2ª vez a um festival esportivo, sempre em busca da expansão do voleibol sentado (Foto: Rio 2016/Nicholas Shores)

O fato de os festivais esportivos do Transforma serem gratuitos e abertos a pessoas de todas as idades torna amplamente democrático o acesso a experimentações de esportes Olímpicos e Paralímpicos. Também é fato que o publico dos festivais do programa de educação dos Jogos Rio 2016 costuma ser quase totalmente composto por crianças. Quem foi ao Complexo Esportivo da Rocinha neste sábado (7), no entanto, não tomou conhecimento dessa tendência. "Ah, se você pudesse ver, dentro de mim, a alegria de viver depois que inventei de praticar esportes... Estou adorando isso aqui!", disse Ivanir Santos Pereira, 70. Àquela altura, a aposentada já colecionava sete pictogramas sobre o verso de seu crachá - todo participante do festival recebe um, sobre o qual os instrutores estampam os esportes que cada pessoa experimentou.

Os carimbos de Ivanir comprovavam que ela havia praticado modalidades como rugby, golfe, atletismo e hóquei sobre grama. Ao ser informada sobre outros esportes oferecidos pelo festival, houve um que causou uma reação especial: "Tem tiro com arco, é? Acho que vou me dar bem nesse aí!"

  

A diversidade do público do evento também se manifestou de outras formas que não a faixa etária. Se São Conrado é uma localidade representativa da proximidade geográfica, no Rio de Janeiro, entre o asfalto e os morros e comunidades, esse panorama seguiu valendo dentro do complexo esportivo, ao qual compareceram tanto moradores dos prédios daquele bairro quanto residentes da favela da Rocinha. Simbolo da paz e da união entre os povos, a Tocha Olímpica Rio 2016, presente no festival, atraía os cliques e as mãos de todos, independentemente de seus endereços. Um cartaz perto dali lembrava que, naquele sábado, faltavam apenas 90 dias para o início dos Jogos Olímpicos - e o revezamento da Tocha segue desbravando inúmeras cidades pelo Brasil.

Alias, já que o assunto são as cidades, chegou a hora de falar de Janderson Wagner, 41, que já havia saído de sua casa no município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, para o festival esportivo de Madureira na semana passada e, neste sábado, repetiu o deslocamento ao Rio para a edição do evento na Rocinha. Ex-atleta de voleibol sentado pelo Clube de Regatas Vasco da Gama, ele foi convidado ao festival do Transforma por sua antiga técnica e passou a frequentá-lo como maneira de divulgar o esporte Paralímpico e contribuir para a sua expansão. "Quero incentivar tanto o público infantil quanto outros deficientes (Janderson tem uma amputação em sua perna esquerda) a, futuramente, entrar para o vôlei sentado pelos times atuais ou, até, criar novos times", explicou.

Afastado do esporte por dificuldades com a distância entre Belford Roxo e São Januário e por incompatibilidade de tempo, Janderson ainda nutre o desejo de voltar a ser atleta. "Se tivessem opções por la, gostaria de representar a minha cidade. A intenção é que, a partir do festival, outras pessoas e até moradores de Belford Roxo acompanhem o vôlei sentado." Sobre a situação curiosa de haver uma grande procura de crianças e adultos sem deficiência pela modalidade Paralímpica, ele voltou a bater na tecla da expansão. "Praticando aqui, tem até um incentivo para levar o vôlei sentado para a escola. Por isso é interessante ter mesmo pessoas que não são deficientes jogando. Elas também podem dar aula, ai teríamos mais professores e mais praticantes", insistiu. Na hora de concluir a conversa, Janderson acabou amenizando o rótulo de "atleta afastado" que ele mesmo havia se dado: "Às vezes, ainda bato uma bolinha lá no Vasco... Graças a Deus, saí pela porta da frente." Nada surpreendente para quem tanto se dedica a abrir janelas de oportunidade.