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16/05/2014

Do futebol vendado ao esqui no escuro

Jornalista, atleta e cego, Marcos Lima fala sobre a importância dos Jogos Paralímpicos para mudar a relação com a deficiência
Do futebol vendado ao esqui no escuro

O jornalista Marcos Lima, que integra a equipe de Integração Paralímpica do Comitê Rio 2016, conversa com agentes jovens no evento de formação (Foto: Rio2016/Alex Ferro)

"O problema não é a deficiência e sim a falta de acessibilidade", defende o jornalista Marcos Lima, que integra a equipe de Integração Paralímpica do Comitê Rio 2016. Cego desde 5 anos de idade, Marcos pratica futebol desde criança e foi o primeiro cego brasileiro a esquiar. O jornalista foi um dos palestrantes da formação dos agentes jovens em abril e fez sucesso entre os adolescentes com suas histórias de superação, embaladas com muito bom humor.

Nas perguntas que fizeram durante a palestra, os alunos se mostraram preocupados com o tema do bullying. Eles perguntaram se Marcos já havia sofrido bullying e como fazia para lidar com a situação. “Já sofri muito bullying e luto diariamente com uma cidade que não está preparada para mim, mas nada disso me desanima”, disse ele, sendo muito aplaudido pela plateia.

Marcos defendeu a importância da prática de esportes e dos Jogos Paralímpicos para transformar a relação com a deficiência. "Esporte é tudo", acredita Marcos, “você aprende a ganhar, a perder, a trabalhar em grupo. E também a ter paciência, afinal você não consegue nada grande de um dia para outro”.

Fã de futebol desde criança, ele começou a praticar o esporte aos sete anos. O atleta conta que jogou muitos campeonatos, chegou a fazer parte da Seleção Brasileira de futebol de 5, mas teve que diminuir o ritmo de treinamento quando entrou para o curso de jornalismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "Os horários das aulas eram os mesmos dos treinos, então tive que fazer uma escolha, mas continuo jogando até hoje", conta.

No futebol de 5, cada equipe conta com quatro jogadores cegos ou pessoas incapazes de distinguir uma mão. Para evitar que um jogador tenha alguma vantagem em relação aos outros, todos utilizam uma venda nos olhos – exceto o goleiro, que enxerga normalmente e orienta a defesa. Os jogadores recebem orientações do técnico e, também, do “chamador”, um membro do time que fica posicionado atrás do gol do adversário. A bola do futebol de 5 é diferente da bola comum, pois tem guizos no seu interior (uma espécie de chocalho que faz barulho quando a bola é chutada e ajuda a orientar os jogadores no campo). O jogo é praticado em quadra e com regras de futebol de salão. No entanto, existe uma banda lateral do campo que impede a saída dos jogadores.

Além de aumentar a conscientização sobre o Movimento Paralímpico, uma das funções da área de Integração Paralímpica do Comitê Rio 2016, onde Marcos trabalha, é garantir que todas as áreas do Comitê trabalhem para entregar os requerimentos Paralímpicos. Ou seja, eles dão o suporte necessário para as outras áreas para que os assuntos Paralímpicos sejam incluídos e que todas as necessidades diversas dos atletas, pessoas que trabalharão nos eventos e todos os espectadores sejam atendidas. Afinal, mais de 4300 atletas virão para os Jogos Paralímpicos.

Quem quiser saber mais histórias do Marcos pode acessar o seu blog “Histórias de Cego” onde ele conta suas aventuras pelo Rio com o objetivo de aproximar os leitores do cotidiano das pessoas com deficiência visual.