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De Madureira à Rocinha
Festival ocupa parque suburbano e, uma semana depois, vai para complexo esportivo em São Conrado
Fechamento do festival ocorreu na quadra de areia, onde atletas apresentaram um jogo-desafio de voleibol de praia (Foto: Rio 2016/Nicholas Shores)
Com o tempo nublado e frio da manhã do último sábado, 30 de abril, coube aos 15 esportes Olímpicos e Paralímpicos oferecidos pelo Festival Esportivo Transforma aquecer os frequentadores do Parque Madureira. A timidez inicial de crianças e adultos começou a ser quebrada com uma sessão de alongamento comandada pela equipe de monitores. No fechamento do evento com um jogo-desafio de voleibol de praia, já não havia qualquer acanhamento no público transformado em torcida. Entre uma ponta e outra das cinco horas de festival esportivo, atletas amadores de todas as idades sentiram na pele a alegria do esforço em modalidades nunca antes praticadas e celebraram o contato direto com os Jogos Rio 2016. A alguns metros da estrutura do Transforma, os aros Olímpicos instalados no parque davam seu silencioso aval.
No próximo sábado, 7 de maio, o Festival Esportivo Transforma retorna ao Complexo Esportivo da Rocinha, por onde já havia passado em agosto do ano passado. A partir das 8h, diversas estações de experimentação esportiva se espalham pela instalação. Como sempre, a entrada é gratuita e aberta a pessoas de todas as idades.
Orgulho dos pictogramas
O intuito do evento do Transforma no Parque Madureira se traduzia no orgulho de Ingrid Soares, de 10 anos, ao sorrir e se gabar: “Olha quantos carimbos eu já tenho!” Ela se referia ao verso de seu crachá – toda pessoa que se credencia para participar do festival recebe um –, sobre o qual os instrutores estampam o pictograma dos esportes pelos quais cada participante já passou. A cartela de Ingrid contava cinco carimbos, e comprovava que ela já havia experimentado modalidades como voleibol sentado, badminton, bocha e hóquei sobre grama. “Eu me divirto muito com badminton, que eu já conheço de jogar na escola”, explicou a menina.
Mas se engana quem pensa que só crianças são introduzidas a novos esportes. O agente de segurança Marcos Henrique de Oliveira aproveitou o festival para se aventurar pela primeira vez no tênis. Já na casa dos 50, ele aprovou a experiência e não pretende limitá-la ao sábado que passou. “Já falei com a minha esposa que esse esporte dá para suar. Com certeza vou levar essa prática para os meus fins de semana”, afirmou Marcos.
No ramo dos esportes pouco conhecidos do público geral, dois destaques absolutos foram o goalball e o tiro com arco. A modalidade Paralímpica, exclusiva para deficientes visuais, atrai a curiosidade e faz a diversão de várias crianças. A facilidade para se jogar o esporte, que consiste em defesas e arremessos, e o fato de se fazê-lo com os olhos vendados une ludicidade à empolgação com o desconhecido. Um fator extra é a capacidade adquirida de se colocar no lugar de quem não enxerga e faz todas as coisas, e não apenas o goalball, sem a visão.
Enquanto isso, uma grande fila se formava na estação para aspirantes a arqueiras e arqueiros. Pais, mães e filhos se aglomeraram para praticar o esporte do qual muitas vezes só haviam visto uma variante de guerra em filmes medievais. Até a repórter Bárbara Carvalho, que fez a cobertura do evento pela emissora GloboNews, se arriscou no esporte – e ficou a apenas um círculo da pontuação máxima.