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Capacitação Paralímpica
Professores de educação física participam de oficina de futebol de 5 e goalball
Antes das atividades com as bolas, professores adquirem noções de deslocamento vendados (Foto: André Redlich/Rio 2016)
Nessa segunda-feira, dia 24 de novembro, o esporte Paralímpico brasileiro conquistou mais um título histórico. A seleção masculina de futebol de 5 se tornou tetracampeã mundial, com uma vitória sobre a Argentina na final. Além disso, o Brasil acumula três ouros Paralímpicos na modalidade. O goalball, também praticado por deficientes visuais, tem o Brasil no topo do ranking. Apesar do sucesso em competições internacionais, esses esportes ainda são pouco difundidos no país. Mas nos dias 17 e 18 de novembro, 140 professores de educação física de escolas do Transforma receberam uma capacitação Paralímpica na Vila Olímpica do Caju e no Centro Esportivo Miécimo da Silva, em Campo Grande. Eles aprenderam os movimentos e regras básicas dos esportes, e o objetivo é que levem o futebol de 5 e o goalball para os alunos.
Paulo Miranda, coordenador técnico da seleção brasileira de goalball e envolvido com o esporte há 25 anos, foi o instrutor do esporte. Ele explica a importância da experimentação Paralímpica. “Esses esportes mostram que é possível fazer a inclusão invertida nas escolas. Se tivermos uma turma de 40 alunos com apenas um deficiente visual, os outros 39 terão que se adaptar à situação”.

O responsável pela capacitação em futebol de 5 foi Felipe Menescal, analista técnico da CBDV (Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais). “Mostrei que basta uma quadra de futebol para que os professores ensinem o esporte aos jovens. A bola com guizo pode ser substituída por uma bola comum envolvida em uma sacola de plástico. As vendas podem ser feitas com tecido TNT. Não queremos desenvolver atletas de ponta nesse primeiro contato. O importante é aprender os fundamentos básicos do esporte e todos os valores que ele pode agregar”, conta ele.
A professora Andrea da Silva foi uma das participantes da capacitação. Segundo ela, muitas vezes quem reclama da inclusão de novos esportes não são os alunos. “Comecei a trabalhar esportes Paralímpicos esse ano na Escola Municipal Álvaro de Pinheiro. As crianças receberam muito bem, mas alguns pais reclamaram e pediram que voltássemos ao futebol e voleibol Olímpicos.” A professora não desistiu, e o resultado foi positivo. “As turmas que tinham deficientes ficaram muito empolgadas e pediam para jogar esportes Paralímpicos. As crianças queriam que os colegas pudessem participar”, conta ela.
Paulo Marcelo, professor de educação física da Escola Municipal Isabel Mendes, acredita que levar o futebol de 5 e o goalball para a escola pode ser uma forma de combater o bullying. “Ao colocar a criança na situação de uma pessoa com deficiência, ela consegue entender as dificuldades e passa a ter mais respeito.”
Essa foi a quarta capacitação esportiva oferecida pelo Transforma em 2014. A oficina em esportes de Precisão e Combate incluiu esgrima e tiro com arco. Esportes de Marca trabalhou o atletismo Olímpico e Paralímpico. Já o badminton e o hóquei sobre grama foram ensinados na capacitação em Rebatida. Confira aqui como o Transforma faz a divisão de esportes por categorias.