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04/05/2015

Bate e volta

Instrutores de luta Olímpica e esgrima tiram dúvidas sobre os esportes e capacitam professores
Bate e volta

Na última quarta-feira, 29 de abril, 140 professores de educação física entraram em combate na Vila Olímpica Jornalista Ary de Carvalho, na Vila Kennedy. Mas nada de violência! As disputas foram em luta Olímpica e esgrima, durante a capacitação esportiva do Transforma.

Os dois treinamentos desconstruíram noções equivocadas: a de que a esgrima é um esporte elitista e a de que a luta Olímpica é violenta. Flávio Cabral, coordenador de seleções da CBLA (Confederação Brasileira de Lutas Associadas), e Bárbara Soterio e Juliana Pereira, mestres d’armas, foram os instrutores dos esportes e conversaram com a equipe do Transforma.

Transforma: Como os professores se saíram nas capacitações?

Bárbara: “Ficaram muito empolgados. Todos participaram ativamente. A dificuldade inicial é sempre a mesma: a postura adequada. Posição do pé, da mão, esses detalhes difíceis para quem nunca praticou esgrima. Mas os professores foram bem.”

Flávio: “Na luta Olímpica é muito comum os iniciantes ficarem receosos. Não só por não conhecerem bem o esporte, mas pela cultura do não-me-toque da sociedade urbana em que vivemos. Quando começaram a praticar, os professores se soltaram, se agarraram e derrubaram de forma muito natural”.

Transforma: Sabemos das dificuldades estruturais de muitas escolas brasileiras. Esses esportes podem ser levados de forma barata para os alunos?

Juliana: “Com certeza. Mostramos hoje as adaptações que os professores de educação física podem fazer para ensinar a esgrima. O equipamento profissional é caro. A espada, por exemplo, pode ser substituída por um tubo de PVC e um pedaço de garrafa pet. A roupa de proteção pode ser um moletom, que absorve bem impactos leves. Para crianças mais novas, a espada deve ser feita com jornal enrolado.”

Flávio: “Moleza! A luta Olímpica é um dos esportes mais fáceis de se adaptar. Caso a escola não tenha tatame, qualquer superfície macia funciona, como um colchão ou gramado. Não é necessário usar aquele macacão profissional. Short e camiseta são suficientes. Pronto, o aluno já pode treinar.”

Transforma: Essa pergunta vai especialmente para o Flávio. Muitas pessoas consideram a luta um esporte violento. Não seria perigoso ensiná-lo às crianças?

Flávio: “Toda modalidade de combate discute a questão da violência. É preciso separar a luta da briga. As pessoas que praticam a luta Olímpica se tornam mais calmas e seguras. Elas sabem o poder que o corpo tem, não precisam utilizá-lo para provar nada e ficam mais pacíficas. A luta passa disciplina e respeito aos adversários. E destaco aqui a participação das mulheres. Muitos pensam que luta é coisa de homem, mas as meninas adoram. As professoras de hoje estão de parabéns, participaram tanto ou mais do que os homens e foram as primeiras a querer lutar.”

Transforma: Agora para a esgrima. Os Jogos Rio 2016 podem ajudar na popularização do esporte?

Juliana: “Com certeza. Muitas pessoas não conhecem a esgrima, não por falta de interesse, mas pela pouca divulgação. A mídia só quer saber de futebol. Mas a esgrima é um esporte que todos praticamos quando criança. Quem não brincou de espadinha, assistiu a filmes como Zorro? Mas esquecemos na fase adulta. Quem sabe os Jogos não relembrem esse período e as pessoas se interessem e procurem o esporte?”

O Transforma irá oferecer, ao longo de 2015, 18 capacitações em 12 esportes diferentes. No primeiro semestre, já aconteceram treinamentos em futebol de 5, rúgbi, badminton, hóquei sobre grama, luta Olímpica e esgrima.