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24/07/2014

Atletismo nas escolas

Curso para professores de educação física teve criação de materiais, circuito esportivo e bate-papo com atletas
Atletismo nas escolas

Professores de educação física produzem implementos de atletismo com material reciclável (Foto: Rio 2016/André Redlich)

Os professores de educação física costumam se referir aos quatro principais esportes ensinados e praticados nas escolas como “quadrado mágico”: futebol, handebol, basquetebol e voleibol. Para aumentar as opções de esportes nas escolas, o Transforma* oferece capacitações esportivas para professores de educação física sobre novos esportes Olímpicos e Paralímpicos. No dia 23 de julho, 51 professores participaram do treinamento em esportes de marca (atletismo Olímpico e Paralímpico) na Vila Olímpica do Mato Alto, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. O curso foi oferecido em parceria com a Federação de Atletismo do Rio de Janeiro (Farj).

O curso começou com uma oficina de produção de implementos de atletismo com materiais recicláveis, como garrafas plásticas, jornais usados, caixas de papelão e de leite, cabos de vassoura, pneus e sacos plásticos. Os próprios professores coletaram esses materiais e, a partir deles, construíram implementos como martelos, dardos, discos, barreiras, pesos e varas.

Com os implementos produzidos na oficina, foi montado um circuito de atletismo para experimentação de diferentes disciplinas como corrida, salto em distância, salto em altura, salto com vara e arremesso de peso. Essas disciplinas representam o conjunto de provas que compõem o atletismo e podem ser adaptadas para o ensino escolar.

Professora de educação física da Escola Municipal Luiz Delfino, na Gávea, Zona Sul, Carmem Lúcia defendeu que a falta de quadra não é mais um impeditivo para que os alunos vivenciem novos esportes:

 “Como professora de educação física, me desesperei quando escolheram minha escola para participar do Transforma, porque não sabia como ensinaria esses novos esportes numa escola sem quadra. Não tenho espaço, só um corredor com chão de pedra”, contou a educadora. “Mas eu comprei a ideia e decidi estudar uma maneira de adaptar a escola. Já fizemos experimentação de atletismo, esgrima e vôlei sentado. Os alunos curtem essas novidades e merecem nosso esforço!”

Durante o treinamento, os professores participaram ainda de um bate-papo com a atleta Paralímpica Jhulia Karol dos Santos, medalhista de bronze nos Jogos Paralímpicos de Londres em 2012, e seu treinador e guia, Fábio Dias. O encontro contou ainda com a pediatra Rubia Ligiero e seu filho Marcos Ligiero, atleta Paralímpico. Rúbia relatou sua luta pelo desenvolvimento intelectual e motor do filho, que teve meningite aos 4 meses e superou um diagnóstico de vida vegetativa:

“Ele é deficiente nisso, mas é eficiente naquilo. Esqueçam o que a pessoa com deficiência não pode fazer e trabalhem a favor daquilo que ela pode fazer”, disse Rúbia. “O esporte trouxe amizade, eficiência e autoestima para o Marcos.

Rúbia pediu aos professores que acreditem nos alunos com deficiência:

“A família do aluno com deficiência é, muitas vezes, amedrontada. A mãe acha que o filho será colocado em segundo plano na escola. Meu pedido é que, como educadores, vocês abracem essas famílias”.

* No primeiro semestre de 2014, o Transforma atua em 52 escolas municipais do Rio em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SME).