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Lançamentos ao alcance dos alunos
Professores aprendem movimentos do atletismo e constroem equipamentos com materiais recicláveis
Fernando Barbosa, instrutor da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), arremessa um dardo feito com material alternativo (Foto: Rio 2016/Alexandre Loureiro)
Em parceria com a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), o Transforma ofereceu no último dia 5 de outubro mais uma capacitação esportiva em atletismo. Antes do treinamento prático começar no Centro Esportivo Miécimo da Silva, em Campo Grande, zona oeste do Rio, os professores de educação física puderam bater um papo com o atleta Paralímpico Vanderson Silva. Enquanto o competidor dos Jogos Parapanamericanos Rio 2007 e Paralímpicos de Londres 2012 falava sobre as dificuldades enfrentadas por uma pessoa com deficiência, a professora Márcia Rodrigues Fernandes Ribeiro, 52, pediu para falar: “Acho que uma palavra resume bem o que você está nos contando: superação.”
Esse foi o valor que pautou a capacitação. Afinal, em maior ou menor escala, professores precisam superar limitações estruturais ou de orçamento. Alguns equipamentos do atletismo, como o martelo, o dardo e o disco, custam centenas de reais e são, portanto, pouco acessíveis. Mas bastam algumas meias de algodão, areia, sacos de batata, papelão, bolas de tênis velhas e rolos de fita adesiva para resolver o problema. Com esses insumos de baixíssimo custo em mãos, Fernando Barbosa, instrutor da CBAt, precisou de menos que uma hora para auxiliar os educadores na confecção de implementos. Enquanto ornamentava a empunhadura de uma vara de bambu, a professora Renata de Mello Mourão, 33, ressaltou a possibilidade – até então distante – de estimular o salto com vara em suas lições na Escola Estadual Alexander Graham Bell, em Duque de Caxias (RJ). “Não tive essa experiência na faculdade de aprender a montar os instrumentos, então, com essa capacitação, fica mais fácil de utilizar a modalidade na aula de educação física”, constatou ela.
Ao seu lado, a professora Luciana Maria Gomes Braz, 34, da Escola Municipal Adelino Magalhães, de Niterói (RJ), se empenhava em detalhes coloridos para o equipamento. Ela aproveitou para falar sobre a importância da ludicidade: “Como trabalho com crianças, o colorido é fundamental. Assim eles vão ter mais interesse em jogar e brincar.” Além do custo reduzido, a confecção dos equipamentos com materiais alternativos tem outros dois benefícios: a interdisciplinaridade com aulas de arte e o cuidado maior que os alunos tendem a ter com objetos que eles mesmos construíram.
Já na área externa, os educadores puderam experimentar na prática os equipamentos construídos. Fernando ensinou exercícios preliminares com pesos, dardos e discos, além dos lançamentos de fato. Todas as atividades podem ser adaptadas à estrutura escolar.Com o martelo, por exemplo, os alunos podem praticar movimentos de pêndulo, tanto para os lados quanto para frente e para trás. Neste último caso, devem balançar o equipamento à esquerda do corpo, por baixo das pernas e à direita do corpo. Os discos – fabricados com dois recortes circulares de papelão preenchidos por jornal amassado, duas tampinhas de garrafa PET e envolvidos por um pedaço de mangueira – podem ser rolados no chão de um colega para o outro. Depois, jogados para cima e recapturados; o lançador deve usar sempre o dedo indicador para impulsionar o giro do disco.
Depois dos exercícios, Fernando Barbosa falou sobre a importância das capacitações. “Toda vez que dou uma palestra penso no crescimento do esporte. Quanto mais você leva a questão esportiva a uma sociedade, mais você amplia o número de talentos que pode descobrir”, disse o instrutor. Ele elogiou as pontes construídas entre confederações esportivas e escolas nas atividades: “A iniciativa do Transforma é de grande sabedoria por levar a esses professores a capacidade de desenvolver sua criatividade nas escolas.”
Só uma coisa tirou Fernando do sério: a cada lançamento, o cachorro Algodão, um vira-lata que ganhou nome e condição de mascote no meio da atividade, batia em disparada atrás do objeto arremessado. Dificilmente o trazia de volta a seu lançador, é verdade. Mas aí é uma outra capacitação.