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A verdadeira face do rúgbi e futebol de 5
Professores de educação física participam de capacitação e aprendem mais sobre esportes de invasão
Professora posa com bola de guizo e venda (Foto: André Redlich/Rio 2016)
Na última quarta-feira, 1º de abril, 180 professores de educação física descobriram duas mentiras esportivas: a de que o rúgbi é um esporte violento e a de que deficientes visuais não podem jogar futebol.
A verdade veio à tona na capacitação do Transforma em esportes de invasão. A Vila Olímpica do Caju recebeu profissionais de escolas públicas e particulares com o objetivo de aprender futebol de 5 e rúgbi e ampliar o cardápio esportivo de suas aulas.
Marcel Santos e Deborah Ciarla, da Confederação Brasileira de Rúgbi, comandaram o treinamento no esporte. Segundo Marcel, “os Jogos Rio 2016 vão abrir as portas para o rúgbi no Brasil. Precisamos desmistificar a imagem de que é um esporte violento. O contato físico do jogo deve ser trabalhado junto com conceitos como disciplina e respeito.” Deborah chama a atenção para o potencial do rúgbi em conquistar alunos com pouco interesse pelas aulas de educação física. “O esporte não exige um biotipo específico, pelo contrário. O ideal é que o time conte com jogadores altos, magros, gordos e magros em diferentes posições”, conta ela. “Além disso, as meninas se interessam logo no começo, porque percebem que os meninos, acostumados a dominar a quadra, não conhecem as regras. Todos partem do zero.”
Um dos professores mais atentos à capacitação era Alexandre Pires, da Escola Municipal Orsina da Fonseca, na Tijuca. Com uma prancheta em mãos, ele anotava cada movimento ensinado pelos instrutores. “É possível adaptar o esporte à estrutura da nossa escola. Substituímos a bola oficial por uma de borracha e já podemos praticar”. Deborah sabe bem como aplicar o rúgbi em diferentes espaços. “Sou professora do município do Rio, na minha escola tenho meia quadra de vôlei com uma árvore e um poste no meio. Introduzo o esporte com revezamento entre os alunos e movimentos lúdicos.”
Patricia Toledo, da Escola Americana, na Gávea, percebeu a dificuldade em um movimento aparentemente simples: o passe. “Nosso corpo está acostumado a progredir, como no futebol e basquete. No rúgbi, só podemos tocar a bola para trás, a dinâmica é outra”, conta ela.
Além da bola oval, os professores também tiveram contato com uma redonda, mas com guizos. O futebol de 5, ministrado por Felipe Menescal, analista técnico da CBDV (Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais), gerou reflexão no grupo.
“Estamos falando de um esporte tricampeão Paralímpico, tetracampeão mundial e mesmo assim pouco conhecido. O futebol de 5 pode ser um meio do professor promover a inclusão em sua escola.” Felipe revela o grande sonho para 2016. “Queremos o Brasil na final, campeão, com o estádio lotado como aconteceu no Pan em 2007.”
Adriano Beavati, da Escola Municipal João Proença, em Campo Grande, percebeu a dificuldade de se movimentar vendado. “Não temos os outros sentidos tão desenvolvidos. O futebol de 5 faz com que nossos alunos deixem de notar a deficiência do cego, e passem a admirar a capacidade e talento no jogo.”
Durante o ano de 2015, o Transforma irá oferecer 18 capacitações em 12 esportes diferentes. A próxima acontece na Vila Kennedy, em badminton e hóquei sobre grama. As inscrições para as 180 vagas se encerraram em pouco mais de 12 horas.