-
Assista à passagem da chama Olímpica pelos municípios de Várzea Grande e Cuiabá, no Mato Grosso.
-
Esperança do ouro
Estrela Paralímpica rumo ao Rio 2016: 'Sinto que estou voltando pra casa'
Com três ouros e duas pratas no currículo, Lucas Prado conta rotina de treinamento após conduzir tocha Olímpica ao lado de seu guia em Várzea Grande
Por Eduardo Butter
Aos 17 anos, Lucas Prado perdeu 90% da visão após um descolamento de retina. Encontrou no esporte uma maneira de transpor a barreira da cegueira. Antes de chegar ao atletismo, o velocista tentou jogar futebol de 5 e o goalball, mas foi nas pistas que, em 2006, ele se consagrou como atleta. Dois anos depois, nos Jogos Paralímpicos Pequim 2008, voltou ao Brasil com três medalhas de ouro nos 100, 200 e 400m na categoria T11. O atleta de Poxoréu, Mato Grosso, conduziu, nesta quinta-feira (23), a tocha Olímpica Rio 2016 em Várzea Grande ao lado de seu guia, Laércio Martins.
Lucas conduziu a tocha ao lado de seu guia, Laércio Martins.(Rio2016/Andre Mourão)Mesmo após sofrer uma lesão, Lucas competiu em Londres 2012 e trouxe para o Brasil duas medalhas de prata. Prestes a competir em casa nos Jogos Paralímpicos, ele conta que as expectativas são altas.
Para alcançar o sonho da medalha em seu país, Lucas conta com a parceria de Laércio, com quem corre desde 2009, que vai além das competições. "Também moramos juntos, então o entrosamento é total", explicou o atleta.
Já o guia, que falou do desafio que é estar ao lado do medalhista. "É difícil acompanhar esse cara, viu. Atleta cego mais rápido do mundo e eu tenho que estar colado nele. Então preciso treinar em dobro porque ele evolui muito rápido", afirmou Laércio.
Assista de perto ao desempenho dos atletas Paralímpicos
Lucas se recupera de uma lesão no joelho e está em uma rotina pesada de treinamento para os Jogos. "Estou voltando de uma lesão, rompi o tendão do joelho. Treino seis horas por dia em São Caetano do Sul", disse o velocista sobre onde mora.
Disputa entre conterrâneos
No caminho de Laércio rumo ao topo do pódio, no entanto, há outro mato-grossense: Felipe Gomes. "Ele agora está competindo nos 100, 200 e 400m também. É uma pedra no sapato", brinca, descartando a ansiedade para setembro. "Eu não fico ansioso não. Com o calor da torcida a gente separa os meninos dos homens. Tem gente que treme. Eu adoro", garante-se o medalhista.
Mas, uma ansiedade Lucas não esconde: voltar ao Estádio Olímpico. "Foi no Engenhão que tudo começou. Ganhei três ouros no Parapan (2007) e entrei forte no cenário mundial. Sinto que estou voltando pra casa e estou pronto pra voltar ao pódio".
O atleta avalia que o esporte Paralímpico no país ainda tem muito a conquistar para ganhar o público. "É como se fosse uma criança. Temos a cultura do futebol, e dá trabalho mudar isso. Precisamos de mais patrocínios, e não só nas vésperas das competições, mas a longo prazo. Não se formam atletas do dia para a noite. Em 2012, competi lesionado, ganhei duas pratas e mesmo assim perdi quase metade dos patrocinadores depois do torneio. Mas cada dia plantamos uma semente," enfatizou o medalhista.
-
Lucas Prado trouxe três ouros dos Jogos Paralímpicos de Pequim 2008: 100, 200 e 400m. Em Londres 2012, uma lesão pouco tempo antes não o impediu de conquistar duas medalhas de prata. Para os Jogos Rio 2016, a expectativa é alta e nesta quinta-feira (23) ele conduziu a tocha em sua cidade.
-
Emily Leite foi a primeira atleta do Mato Grosso a virar faixa preta de caratê. Com apenas 14 anos, ela já tem muitas conquistas e metas. "Quero disputar os Jogos e virar atleta de MMA também. Estou começando no kickboxing agora." Ela treina todos os dias e garante que não interfere nos estudos. "Até me ajuda, porque se eu consigo ganhar uma luta de karatê, por que não conseguiria passar na prova?", brinca ela.
-
Crianças da Escola Municipal Manuel João de Arruda fizeram pompons para saudar a passagem da tocha Olímpica.
qui, 23 jun
Várzea Grande, MT
-
Trajeto
| Avenida Couto Magalhães - Centro Norte |