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"Seu grito se fez canto de libertação, cantado até hoje pelo povo irmão". Em forma de canção, a história do Quilombo dos Palmares e do herói Zumbi marcou a passagem da chama Olímpica por União dos Palmares.
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Terra de Zumbi
Zumbi vive no destino da tocha Olímpica
No 27º dia de viagem pelo Brasil, a chama Olímpica Rio 2016 volta ao interior de Alagoas para mergulhar na história do país. Em União dos Palmares, área conhecida como região dos quilombos - como eram chamados os brigos de escravos fugitivos, o revezamento homenageou heróis da luta contra a escravidão, como Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, o maior e mais organizado das Américas - estima-se que 30 mil pessoas habitaram a região em cem anos de resistência.
Nas mãos do professor Francisco Neto e de representantes Coletivo Afro Caeté, a chama Olímpica foi recebida em uma cerimônia emocionante, que contou com cantigas em homenagem a Zumbi, roda de capoeira e preces aos Orixás .

Francisco Neto com os integrantes do Coletivo Afro Caeté e a tocha Olímpica (Foto: Rio2016/Fernando Soutello)
“A serra representa a luta de Zumbi e dos escravos contra a exploração. Ela simboliza o nosso passado sangrento, a vida de perseguição, que tem seus reflexos até hoje na nossa população sofrida”, explica Antônio Lopes Neto, professor de geografia e pesquisador da Universidade Federal de Alagoas.

Uma das construções do parque que demonstra como era a vida no quilombo nos tempos de Zumbi (Foto: Rio 2016/Fernando Soutello)
Feitas em madeira, barro e palha, as construções do Parque Memorial Quilombo dos Palmares representam a estrutura do quilombo no século 17. A Casa do Campo Santo (Onjó Cruzambê) e o Terreiro das Ervas (Oxile das ervas) representam o conhecimento medicinal que indígenas e quilombolas tinham em relação às ervas.
Já a Casa de Farinha (Onjó de Farinha) representa o cultivo da mandioca. Além das construções, há pontos de áudios que relatam aspectos do dia a dia, como a troca de conhecimento entre índios e os quilombolas.
Escultura em homenagem a Zumbi, na Serra da Barriga, Palmares (Foto: Rio 2016/Fernando Soutello)“A presença do memorial relembra esse processo de luta. É muito significativo para os visitantes porque torna essa história viva. O que estudamos na escola é muito romantizado sobre o que foi a escravidão. É possível compreender o conhecimento estratégico que os escravos tinham, como Zumbi colocava regras no quilombo. É revolucionário e inovador", avalia Antônio.
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O gingado ritmado do Coletivo Afro Caeté, que caprichou no afoxé durante a condução da chama Olímpica na Serra da Barriga, região do Quilombo dos Palmares.
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Lisanel Candido da Silva explicou porque não podia faltar capoeira para saudar a chama Olímpica. "Aqui é a terra da capoeira. Ela não poderia faltar durante o revezamento da tocha Olímpica em União dos Palmares", disse Lisanel de 67 anos, o Mestre Jacaré.
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Eliane Torres, 51, já foi feirante, vendedora de picolé e dona de boteco. Hoje, é empresária de sucesso, mas não esquece das suas origens. "Nunca me esqueço de onde vim. Gosto de todo mundo de União dos Palmares e trato todos iguais", contou.
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A população de União dos Palmares saiu em peso para ver a chama Olímpica passar.
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Clezivaldo Mizael, 27, foi líder estudantil e hoje é presidente do Rotary Club em União dos Palmares. "É extraordinário conduzir a tocha Olímpica representando a juventude, os estudantes e todos aqueles que atuam em atividades filantrópicas", disse.
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União dos Palmares
A segunda parada da chama Olímpica nesta segunda-feira (30) é União dos Palmares, importante região na história do país e símbolo da resistência negra. Lá, ícones como Zumbi e Lampião mantêm a fama até hoje. Acompanhe com a gente a passagem do símbolo dos Jogos por essa terra histórica.

seg, 30 mai
União dos Palmares, AL
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Trajeto
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