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O menino e a chama
Condutor da tocha Olímpica em Sobral, menino de 14 anos foi indicado pelo Unicef
Policial, professor de matemática e jogador de futsal. Edilson Freitas da Silva Filho, estudante do 9º ano e de 14 anos, sonha em ter, no futuro, uma das três profissões. Pensar a vida adulta só passou a fazer parte da imaginação do menino quando ele deixou sua escola de ensino tradicional e passar para um colégio de período integral, onde o menino tímido passou a ser líder e se destacar. Nesta quarta-feira (8), o garoto conduziu a tocha Olímpica e acendeu a pira da celebração em Sobral (CE), como parte da parceria do Unicef com o Rio 2016, que levará ainda mais duas meninas e dois meninos para conduzir a chama e representar 2,2 bilhões de crianças e adolescentes de todo mundo e a missão de incluí-los no universo esportivo.
Edilson recebeu a chama Olímpica da paratleta Juliana do Nascimento (Stefano Santoni/Rio 2016)“Estou muito feliz, porque represento minha cidade, meu distrito, minha escola. Ando no corredor do colégio e todo mundo fala 'olha o famoso'. Mas não ligo. Depois que passar o revezamento, tudo vai voltar ao normal”, comentou Edilson, que virou a estrela do distrito de Aracatiaçu, onde estuda, a 60 quilômetros de Sobral, antes do dia da condução.
Além da timidez, Edilson era retraído até sair de sua antiga escola para a atual, o Cesti (Colégio Sobralense Experimental de Tempo Integral) Maria de Lourdes de Vasconcelos, onde está desde a metade de 2014. O formato de ensino tradicional, de quatro horas por dia, dificultava a equipe da escola de trabalhar o lado emocional do garoto.
Adolescentes conduzem tocha Olímpica em parceria do Unicef com Rio 2016
“Ele era muito calado, tinha dificuldade de socializar. Em menos de dois anos, ele tem outra performance. Conversa, tem maturidade, se posiciona. Ainda é tímido, mas já deu saltos. Ele assumiu um compromisso com ele de que a sua vida vai dar certo. Essa superação foi o que nos fez indicá-lo para conduzir a tocha”, explica Serginho Presley, diretor da escola.
Já no colégio atual, além das disciplinas tradicionais, aulas de projeto de vida, formação humana e protagonismo juvenil desenvolveram características de liderança em Edilson, que agora encabeça o Clube dos Inspetores Mirins, que auxilia funcionários da escola e orienta os outros alunos a não jogar lixo no chão ou manter o banheiro limpo. O garoto também é louco futebol e participa de torneios no ginásio poliesportivo da escola.
“Eu achava que não podia nada. No ensino integral, comecei a dar a minha opinião, vi que posso conquistar o que eu quero. Fui me soltando mais, perdendo a timidez nas aulas de projeto de vida e protagonismo juvenil. Isso mudou a minha vida”, garante.
No palco, logo após aceder a pira, Edilson se soltou mais e agradeceu por estar ali. "Tenho que agradecer muito minha escola e minha família. É uma honra muito grande. Eu não quero nada de preconceito, só quero um mundo melhor e mais justo", pediu o garoto.
Edilson teve que vencer a timidez para conduzir a chama e acender a pira em Sobral (Stefano Santoni/Rio 2016)Para Rui Aguiar, coordenador do escritório do Unicef em Fortaleza, ele é o típico adolescente que representa os meninos que vão ser bem-sucedidos.
"A partir da garantia de direitos para o desenvolvimento da criança, todos podem dar certo. Eu tenho muita fé de que a gente pode assegurar o direito à educação e ao esporte na escola. Um projeto que permitisse o acesso universal ao esporte seria o grande legado dos Jogos Olímpicos”, observa.
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Juliana do Nascimento é paratleta ouro e atletismo, arremesso de peso e pelota nas Paralimpíadas Escolares de 2012, 2014 e 2015. "Eu estou muito feliz em estar representando minha cidade. Sei que o momento é importante para os paralímpicos e eu faço parte dessa história. É muito gratificante ter feito parte desse momento lindo", exclamou a jovem.
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Esporte e educação podem transformar o país, é o que acredita Domingos Sousa, professor que conseguiu na sua escola a nota 8,2 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). "Só a dupla educação e esporte pode ajudar o Brasil a se tornar realmente um país que vai explorar todo seu potencial".
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A Vila Olímpica Sobralense está decorada para a passagem da chama Olímpica na cidade de Sobral. O espaço foi aberto apenas há três meses e em janeiro de 2017 se tornará escola integral.
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Sobral
Sobral é a última cidade desta quarta-feira (8), 37º dia do revezamento da tocha. A cidade construiu uma Vila Olímpica, inaugurada há três meses.

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Domingos Sávio trabalha como educador há 20 anos em Sobral, onde vai conduzir a tocha Olímpica. Ele é diretor da Escola Municipal José da Matta e Silva, que tem um dos melhores índices de desenvolvimento da educação básica no Brasil.
qua, 08 jun
Sobral, CE
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Trajeto
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