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Advogada querida da cidade, a maranhense Thaynara OG virou celebridade no Snapchat e Instagram. Ela encerrou o dia do revezamento em São Luís acendendo a pira na presença de uma multidão, na praça Maria Aragão, com arquitetura de Oscar Niemeyer. "A gente cria expectativa, mas é muito mais incrível na hora. Vi meu pai no meio da multidão e comecei a chorar. Foi o momento mais especial da minha vida", disse.
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Rayanne quer defender crianças
Quando tem tempo, Rayanne da Silva Xavier, de 16 anos, joga basquetebol assim que volta da escola. Moradora da comunidade de Gatara, a 10 km do centro de São Luís (MA), ela e os amigos fazem da rua uma quadra para praticar e promover esportes na comunidade. No domingo (12), ela conduziu a tocha Olímpica na capital maranhense, em parceria do Unicef com Rio 2016.
Rayanne recebe a chama Olímpica de Sebastião Rolim (Foto: Eduardo Butter/RIo 2016)Rayanne pratica esportes desde criança, quando participava de maratonas infantis na comunidade. Ela descobriu o basquete aos 10 anos, mas só voltou a praticar depois que entrou para o Núcleo Comunitário de Esporte e Lazer (Nucel), projeto da ONG Instituto Formação, que estimula crianças e adolescentes a fazerem esportes.
Ela é mediadora do projeto desde 2014 e atua mobilizando crianças para participar dos torneios promovidos pelo Nucel. “O projeto trouxe para o bairro esportes pouco conhecidos por aqui, como o rugby, o badminton e o slackline. Gosto de me reunir com as pessoas e decidir como serão os jogos”, diz.
Rayanne com seus amigos em São Luís (Foto: Rio 2016)O que quer ser quando crescer?
Rayanne explica que entrou no projeto não só pelo esporte, mas também para fazer novos amigos e aproximar os moradores de Gatara, que, de acordo com ela, “faziam intrigas uns com os outros”. Apesar da pouca idade, a adolescente é ligada às questões sociais de sua comunidade, que sofre com falta de saneamento básico e estrutura deficiente.
“Acho que toda criança tem direito de se divertir, de praticar esportes. Muitos jovens voltam da escola e não têm o que fazer em casa, acabam indo para um caminho ruim. O esporte ajuda a se envolverem com coisas bacanas”, fala ela, que sonha em ser juíza para garantir os direitos das crianças.
Bom para a autoestima
Para Fábio Cabral, coordenador de projetos do Instituto Formação, é possível ver o amadurecimento de Rayanne ao longo dos dois anos. “Conseguimos ver a autoestima dela por ter voz em um grupo. Também é possível notar o olhar se refinando para questões da comunidade. O sonho de ser juíza reflete isso”, avalia ele. O Instituto Formação tem o apoio do Unicef para administrar o Nucel. Rayanne é a terceira condutora de um grupo de seis jovens escolhidos para participar do revezamento da tocha Olímpica Rio 2016, representando as crianças do mundo.
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Condutores do revezamento da tocha Olímpica se encontram na frente do Monumento aos Pescadores, em São Luís.
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Thiago Rizzo tem experiência nas piscinas e, apesar de morar em São Luís onde é tradição o quadriciclo nas praias, ele quase não utiliza. Hoje ele teve essa experiência e conduziu a chama Olímpica em alta velocidade no Espigão, local famoso na capital maranhense. "Foi bem diferente, eu quase nunca ando com o quadriciclo e ainda tive a chance de também conduzir a chama um pouco nas ruas. Senti muito a vibração e torcida das pessoas e quero me esforçar ainda mais para representar meu Estado nos próximos jogos Olímpicos de Tóquio."
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Ana Ribeiro largou tudo no Maranhão há 5 anos para lutar por um sonho. Foi para a Inglaterra estudar e trabalhar com vídeo games. Hoje, é pioneira na criação de jogos para realidade virtual no Brasil. Ela viaja o mundo dando palestras, representando o Brasil e é considerada referência no mundo dos games. "Entrei em um mercado super masculino e consegui me destacar. A força de vontade da mulher é imbatível quando realmente queremos algo. Fiquei feliz de representar meu povo maranhense e poder aguçar a curiosidade das pessoas que ainda não conhecem a realidade virtual. Fiquei feliz de poder conduzir com os óculos especiais."
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Romeu: "Casa comigo?"

O maranhense Romeu Matos, de 27 anos, pediu a namorada Samya Taliane Silva, de 24, em casamento durante o revezamento da tocha Olímpica neste domingo, Dia dos Namorados, em São Luís, conhecida como a Ilha do Amor. Eles moram juntos há 5 anos, desde que sua filha nasceu. O pedido foi feito após Samya conduzir a tocha e passar a chama para Romeu, que se ajoelhou e mostrou a aliança. Os dois choraram, ele mais do que ela.
Romeu, antes do pedido, mostra a aliança (Foto: Eduardo Butter/Rio 2016)No meio da multidão, que gritava e tirava fotos, estava Raimundo dos Reis Lima, o Raimundinho, que toca sanfona há mais de 50 anos. "Já perdi a conta do número de casamentos de São João que toquei em São Luís. Quando me ligaram, achei que era mais um. Mas era pra tocha Olímpica! Esse é novidade pra mim", se diverte ele, aos 68 anos.
Sanfoneiro Raimundo (Foto: Eduardo Butter/Rio 2016)Samya é consultora de vendas e estudante de contabilidade. Quando ela e Romeu se conheceram, logo se apaixonaram. Três meses depois, ela descobriu que estava grávida. Quando a filha Ana Cecília fez 3 anos, descobriram que ela tinha sopro no coração. Passou por uma delicada cirurgia e ficou bem, sendo apelidada de Coração Valente. A mãe de Samya disse que a filha sempre falou que, quando casasse, teria que ser com pompa e circunstância, “tudo que tem direito”. Romeu ganhou a tocha da Nissan e disse que quando chegar o dia do casamento, Samya terá que levar tocha e buquê.
A filha Ana Cecília com os pais, agora noivos (Foto: Eduardo Butter/Rio 2016) -
O maranhense Romeu Matos, de 27 anos, pediu a namorada Samya Taliani Silva, de 24, em casamento neste domingo, Dia dos Namorados, quando ela passava a chama Olímpica para ele. Eles moram juntos há 5 anos, desde que sua filha nasceu.
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José Carlos Moreira é corredor dos 100 metros e vai para sua terceira participação dos Jogos Olímpicos. "Cada edição dos Jogos é muito diferente da outra. Pequim foi uma emoção, Londres foi outra experiência. Aqui no Rio a torcida vai ser mais um empurrão."
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Andressa Sheron criou com a mãe a Amattra, uma associação de travestis e transexuais para cobrar políticas públicas de direito ao nome social, atendimento na saúde e respeito na busca de empregos. "Aos sete anos, comecei a me descobrir e, aos 12, assumi a Andressa, inclusive correndo atrás de tratamentos hormonais", disse. "No começo, foi difícil. Sofri muita rejeição da família. Mas hoje minha mãe é meu maior apoio."
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José Emilio Moreira foi chefe da delegação masculina de judô nos Jogos de Atlanta 1996. "É surpreendente como o esporte evoluiu no Brasil e se tornou fonte de tantas medalhas", disse. Sobre os Jogos do Rio? "O brasileiro já é frenético para torcer. Em agosto, apoio vai ser o maior combustível dos atletas."
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A Isis Valentino, de 3 anos, foi com a vó Fátima para assistir à tocha Olímpica passar. Teve direito a banquinho para ficar mais alta e sorvete para refrescar.
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Jaqueline Maria Caldas, 12 anos, é a primeira condutora de São Luís. Ela participa do projeto Movimento e Resgate Esportivo, que ajuda jovens em situações de vulnerabilidade social. "Jogo futebol desde os sete. Minhas notas melhoraram até em geografia, que tenho mais dificuldade", disse. O maior ídolo no esporte? Acredite se quiser, é o argentino Messi. Mas ela vai torcer pela seleção masculina e feminina do Brasil nos Jogos. "Estou mais nervosa para correr com a tocha do que para fazer prova."
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Personagens históricos recebem o público no centrinho de São Luís. Eles participam de uma serenata periodicamente, passeando no Centro Histórico à noite e contando histórias dos monumentos e da cidade. Os turistas podem se informar sobre o projeto na Central de Informações Turísticas, na Praça Benedito Leite.
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Sementes pela paz
Pessoas que batalham por uma comunidade melhor são alguns dos condutores da tocha Olímpica em São Luís, neste domingo (13).
Maurício Vieira de Paula trabalha no Comunica Paz, um projeto que oferece oficinas de comunicação para moradores da comunidade Vila Embratel, em São Luís, e que sofrem diariamente com a questão da violência. Os jovens aprendem a produzir conteúdo para rádio e blogs, como documentários e fotos, sempre propagando o valor da paz.
Maurício Vieira de Paula (Foto: Eduardo Butter/Rio 2016)“Muitos jovens mentiam sobre o lugar onde moravam quando iam procurar emprego, porque tinham medo das empresas não contratarem por eles serem da Vila Embratel. Hoje em dia eles usam o Comunica Paz para mostrar aos maranhenses que os moradores da região são pessoas do bem”, conta Maurício. “Plantamos uma semente que está dando frutos. Nossos alunos criaram por conta própria um projeto de música na comunidade. A transformação só está começando.”
José Augusto Santos tem 65 anos e há 16 dá aula de futebol em uma escolinha de São Luís. “Tentei jogar uma bolinha profissional, mas não deu”, brinca ele. Hoje em dia, utiliza o esporte para evitar que 5 mil jovens de 8 a 16 anos escolham o caminho das drogas e do crime. “O futebol tem poder para fazer a diferença. Contraí uma bactéria hospitalar há quase dois anos e fiquei sem andar. Felizmente estou me recuperando e já voltei a treinar os meninos”, conta o responsável pela revelação do volante Márcio Araújo, jogador do Flamengo.
José Augusto Santos (Foto: Eduardo Butter/Rio 2016)
Thiago Rezzo é bicampeão mundial master de natação e ganhou o troféu Mirante, que elege os melhores atletas do Maranhão. Começou a nadar aos cinco anos. Na próxima segunda-feira (13), um dia depois do revezamento, completa 30 anos. “Correr com a tocha é um presentão adiantado! A sensação vai ser igual a saída do bloco (largada da natação) só que por 200 metros, né?”, brinca ele.
Thiago Rezzo (Foto: Eduardo Butter/Rio2016)Poesia em Maranhão
A tocha Olímpica vai relembrar a história de um dos maiores poetas do Brasil, na praça que leva seu nome, Gonçalves Dias. O poema “Canção de Exílio” foi escrito quando o maranhense estava vivendo em Coimbra, Portugal: “Minha terra tem palmeiras, onde canta o Sabía. As aves, que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”.
Também passa pela rua Portugal, um dos pontos mais importantes e históricos de São Luís, que ainda conserva azulejos portugueses nas fachadas dos sobrados e é um retrato urbano do século 19. Ali está localizada a Casa das Tulhas, o mercado mais popular da cidade, com artesanato e comidas típicas.
O revezamento está previsto para começar às 10h30.
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Bumba Meu Boi entrou no espírito do Rio 2016, ao lado de diversas comemorações para receber a tocha Olímpica, na Praça D. Pedro II, em frente à prefeitura de São Luís, no Centro Histórico
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A capital maranhense promete um roteiro de cultura e tradição em oito pontos espalhados pelos cerca de 40 quilômetros do percurso do evento. De 8h às 19h, a cidade levará para as ruas os símbolos máximos da identidade cultural do Estado, como o Tambor de Crioula e o Bumba Meu Boi.
dom, 12 jun
São Luís, MA
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Trajeto
| Rua Barão de Itamaraty |
| Avenida Marechal Castelo Branco |
| Via de Contorno Ponta d'Areia |
| Via de Pedestres |
| Via de Pedestres & Rua Madressilva |
| Rua Tocantins |
| Avenida Litorânea |
| Avenida dos Holandeses |
| Avenida Sete |
| Avenida Mato Grosso |
| Avenida Jerônimo de Albuquerque |
| Avenida Leste |
| Avenida dos Portugueses |
| Avenida dos Portugueses & Campus UFMA |
| Avenida Dom Pedro II |