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Nesta sexta-feira (17), a chama Olímpica conheceu o município de Santarém e a bela Alter do Chão, no Pará, conduzida pelas mãos de brasileiros e brasileiras que fazem a diferença no Norte do país. Confira os destaques do dia!
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Donilson Gama da Silva é sargento do corpo de bombeiros, já venceu três vezes a Corrida do Círio de Santarém descalço. "Minha origem é muito humilde. Passei 20 anos correndo descalço porque não tinha condições de comprar um tênis. É amor pelo esporte mesmo." O revezamento hoje tem uma homenagem especial. "Minha sobrinha está saindo do hospital do câncer hoje, no dia do seu aniversário. Isso aqui é pra ela."
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Hericles Miranda tem 19 anos, e é canoísta desde os 12 e treina com o irmão. "O Jackson era atleta mas teve um problema na coluna e largou o esporte. Comecei a treinar com ele, é o meu maior ídolo. Ele sabe que só é treinador no rio, em casa é só irmão." Hericles e o irmão tem uma meta clara: "Tóquio 2020. É pra lá que a gente vai." Antes disso, a dupla tem uma missão difícil. Eles se classificaram para o mundial de maratona de canoagem. Serão 28km na Alemanha.
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José Carlos Lima Lopes deixou a dependência química aos 16 anos, conheceu o jiu-jitsu como hobby, mas já acumulou três títulos mundiais. "Meu exemplo eu quero passar para as pessoas. Viver longe das drogas e perto do esporte é a melhor forma de ser feliz. Dedico essa chama a todas pessoas que passaram pelo meu caminho", declarou.
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Nelcimar Cosmo da Silva conduziu a chama Olímpica e parou em frente ao Hospital Regional do Baixo Amazonas, onde todos os pacientes desceram para prestigiar o revezamento da tocha de perto.
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Ricardo de Araújo deu show durante sua participação no revezamento. Ele mostrou seu talento no 'futebol freestyle', variante do esporte em que um jogador realiza manobras com a bola - e tudo isso sem deixar a chama Olímpica apagar.
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O triatleta Orione Mendes encontrou uma festa tipicamente brasileira em seu trajeto com o símbolo dos Jogos Rio 2016: não faltaram música, dança e muita alegria nas ruas de Alter do Chão, Pará.
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Tocha no paraíso
Bucólica e paradisíacada, Alter do Chão recebeu o revezamento da tocha Olímpica
Por Evandréia Buosi
A tocha Olímpica Rio 2016 passou nesta sexta-feira (17) por Alter do Chão, uma aldeia de pescadores a 35 quilômetros de Santarém que se tornou um dos balneários mais visitados por quem passeia pelo Pará.
Banhada pelo rio Tapajós, a vila ganhou o apelido de Caribe Amazônico e foi eleita um dos dez melhores pontos litorâneos do Brasil pelo jornal britânico The Guardian, em 2009, o que reforçou a fama de melhor praia fluvial do mundo. Suas areias brancas ficam mais extensas no período da vazante do rio, entre os meses de agosto e dezembro.

Na época da vazante, as praias ficam maiores em Alter do Chão (Adrio Denner/AD Produções)
Quem começou a condução no lugar foi o triatleta do vilarejo, Iure Patrício Corrêa Dias, de 21 anos, que nasceu e vive na aldeia Borari. Ele aprendeu a nadar, usar arco e flecha e subir no açaizeiro com os índios mais velhos da sua tribo. Desde 2008, consegue pódios nas provas que disputa em Santarém e outras cidades do Pará.
“O triatlo só veio em 2010, quando juntei dinheiro e pude comprar a bicicleta. Sempre nadei em mar aberto perto da minha aldeia e uma vez vi na TV que existia o triatlo. Fiquei empolgado para fazer os três esportes, mas, como a bicicleta é muito cara, comecei no duatlo e só depois, com apoio de patrocinadores, cheguei à modalidade atual. Hoje, consigo competir tanto em provas longas quanto mais curtas por treinar os três esportes com focos diferentes”, explica ele.

As catraias, embarcações típicas da região, foram enfeitadas para receber a tocha Olímpica (Rio2016/Andre Luiz Mello)
A exuberância e a geografia de Alter do Chão fazem da região um ambiente propício para a prática do triatleta. “A vida tranquila na aldeia dá mais tempo para que eu possa treinar. O mar me prepara para ter mais fôlego nas competições e na área grande de mata posso correr nas trilhas e me aprimorar no ciclismo”, descreve.
Iure, feliz da vida, conduz a tocha em Alter (Rio 2016/Evandreia Buosi)Este ano, o atleta já participou da primeira fase dos Jogos Indígenas do Baixo Tapajós e se prepara para disputar as finais em julho. Participar do revezamento da tocha, para ele, significou mais do que representar a sua aldeia.
“É importante que as pessoas vejam que nosso território ainda não está demarcado. Ajuda a reconhecer os nossos direitos, nos coloca como parte integrante dos brasileiros. É uma boa visibilidade para que as pessoas e os órgãos responsáveis resolvam sobre as nossas áreas que ainda estão indefinidas”, acredita.
Outro condutor da região foi Aurimar Rodrigues, que nasceu na Floresta Nacional do Tapajós e trabalha para aliar o desenvolvimento com a preservação ambiental. Para ele o revezamento em Alter traz visibilidade para esta questão.
Aurimar conduziu para chamar atenção para a defesa das florestas ( Rio2016/Fernando Soutello)"Esssa chama vem em um bom momento para alertar as pessoas de que se elas não cuidarem tudo isso aqui pode acabar. Alter do Chão e a floresta precisam receber mais atenção. Esse planeta está pedindo socorro. Não dá para sair destruindo tudo e achar que está tudo bem", alertou.
O último condutor do vilarejo foi o atleta da canoagem oceânica, Hiel Gesã, que levou a tocha a bordo de uma catraia, embarcação típica de Alter e Santarém, para onde a chama seguiu. "Levo a chama na minha cidade e me sinto especial".
Hiel conduziu a chama em seu "habitat", o rio Tapajós (Rio2016/Andre Luiz Mello) -
Educador, Sidnei Nascimento encontrou uma solução esportiva para reduzir a criminalidade da comunidade onde vive, em Santarém. Ele criou o "Craques da Rua", projeto social que ensina futebol com treinos nas ruas, também conhecido como“Big Soccer”.
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População de Alter do Chão foi toda para as ruas do vilarejo assistir ao revezamento da tocha Olímpica.
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Atleta da canoagem oceânica, Hiel Gesã acumula dezenas de títulos nacionais, em competições estaduais e regionais, como a maratona do Çairé e o Desafio de Canoagem Pará-Amazonas. "Agora levo a chama na minha cidade e me sinto especial".
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Em Santarém, Sérgio Monteiro criou há 22 anos uma brincadeira com os botos-cor-de-rosa na Feira do Pescado. Ele amarra um peixe de isca em um barbante e os mamíferos aquáticos pegam as iscas. Assista
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Todo povoado de Alter do Chão foi enfeitado para receber a chama Olímpica. Não podiam faltar as tochinhas e os atletas locais.
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O boto-cor-de-rosa é um animal típico da região amazônica e está presente nas manifestações folclóricas da região, como na Festa do Sairé, que tem 300 anos de tradição. Em Alter do Chão, a dança do boto recebeu a tocha Olímpica.
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A escola Irmã Dorothy Mae Stang, a única de tempo integral de Alter do Chão, levou todos os 54 alunos para recepcionar a tocha Olímpica.
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Iure Correa Dias nasceu e mora na tribo borari onde aprendeu a nadar com os índios mais velhos. O triatleta conduziu a tocha Olímpica na sua terra. "Quero representar meu povo que precisa tanto de atenção das autoridades, precisamos das nossas terras demarcadas. Estou extremamente feliz por que participar dos Jogos sempre foi um sonho. Estou realizando um pouco desse sonho agora".
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Os atletas da aldeia indígena Borari, de Alter do Chão, entraram no espírito Olímpico um mês antes de disputarem os Jogos Indígenas do Baixo Tapajós, que inclui modalidades como tiro com arco, canoagem, natação, cabo de guerra e corrida com tora.
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Grupo bailado de Carimbó de Santarém recebeu a equipe do revezamento com muito gingado.
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Festa em Santarém
O revezamento da tocha Olímpica Rio 2016 volta ao Pará nesta sexta-feira por Santarém, segunda cidade do estado a receber a chama Olímpica. Estão previstas várias manifestações culturais ao longo do percurso, promovidas pelas escolas da região.
A celebração será realizada na Praça Barão de Santarém, também conhecida como Praça São Sebastião. A Filarmônica Professor José Agostinho e a Orquestra Jovem Wilson Fonseca.
Iure é destaque em Santarém (Rio 2016/Evandreia Buosi)Iure Patrício Corrêa Dias,triatleta de Alter do Chão, descendente do povo Borari,participa de provas nacionais, estaduais e municipais na desde 2008. Em 2010 teve bons resultados em nível nacional e hoje faz parte dos corredores de elite da região. Nesta sexta-feira ele conduz a tocha.
sex, 17 jun
Santarém, PA
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Trajeto
| Rua dos Artistas - Prainha |
| Avenida Barão do Rio Branco - Santa Clara |
| Avenida Trinta e Um de Março & Avenida Dom Frederico Costa - São José Operário |
| Avenida Mararu & Avenida Marechal Castelo Branco - Aeroporto Velho |
| BR-163 - Liberdade |
| Avenida Tapajós - Centro |