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O revezamento da tocha Olímpica passou por Rio Branco em seu 50º dia de viagem pelo Brasil. A cidade recebeu a chama com festa de cultura indígena e popular. Assista.
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Ex-jogador de futebol com grande atuação na Europa, Artur Oliveira acendeu a pira de celebração na Gameleira, às margens do rio Acre. "Desde o momento que decidi ser um atleta profissional, soube que representava minha família, minha terra e meu estado do Acre. Amo vocês, acreanos", disse.
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Liriel Dara tem 14 anos e luta taekwondo desde os três. "No meu esporte só dá para disputar os Jogos maior de idade. Perfeito: em 2020 vou ter 18 anos e essa é a minha meta", disse a atleta, que conduziu a tocha pela ponte Joaquim Macedo.
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José Araújo, conhecido como Dr. Borracha, deixou o seringal aos 38 anos para fazer calçados com a matéria-prima que extraía da floresta. Ele e a mulher, Delcilene Campos, que também já trabalhou no seringal, produzem até 22 pares por dia, que custam entre R$ 30 e R$ 90. Em 2014, eles participaram de uma feira de moda em Milão, onde venderam todas as suas peças. "Estamos unidos pelo amor e pela preservação da natureza", diz José. "É gratificante saber que nosso trabalho nos trouxe até aqui", completa Delcilene.
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Com trajes e pinturas típicas, o grupo Cia Garatuja de Artes Cênicas apresentou o Mariri Yawanawá, dança da etnia Yawanawá, do Acre.
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Guajarina Margarido é uma das fundadoras da Associação de Mulheres do 2º Distrito e coordenadora do grupo folclórico 'As Pastorinhas'. "Represento as mulheres da melhor idade. Aos 80 anos, tenho muita energia", diz.
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Alana Manchineri nasceu em Rio Branco, mas sempre foi ligada à terra Indígena Mamoadate, na fronteira com o Peru. Cursou biologia para trabalhar no entorno da Reserva Biológica do Rio Acre. Ela é filha do cacique Toya Manchineri e faz parte da Comissão Nacional da Juventude Indígena e da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira. "A chama é um elemento da floresta e vem para nos lembrar da importância dos povos originários na preservação da natureza", diz.
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Aliança sustentável
Encontro de referências da prática da sustentabilidade no Acre: índio Kaxinawá passa a chama para primo de Chico Mendes
Por Leonardo Rui
O revezamento da Tocha Olímpica Rio 2016 em Rio Branco uniu duas lideranças importantes para as práticas sustentáveis no estado do Acre: o índio Carlos Robenir Kaxinawá passou a chama para Raimundo Mendes, primo do líder seringueiro e ambientalista Chico Mendes. Raimundo, que ajudou o primo a criar uma das maiores reservas extrativistas do país, em Xapuri (AC), com quase 1 milhão de hectares, segue lutando hoje, aos 70 anos, por atividades alternativas de renda que possam frear o aumento do desmatamento na Floresta Amazônica.
Raimundo ganhou um presente de Claudio durante a passagem da chama (Foto: Rio 2016/Fernando Soutello)“Se não fosse a resistência dos extrativistas liderados por Chico Mendes e Wilson Pinheiro, com certeza as florestas do estado estariam praticamente dizimadas. A nossa luta levou à criação das reservas extrativistas e garantiu não só o fim dos grandes desmatamentos como a permanência dos extrativistas nas florestas do Acre. Hoje, temos boas políticas para a população, como a melhora do preço da borracha, da castanha, a produção do acaí, das resinas, como o óleo da copaíba”, comenta Raimundo, que celebrou a passagem da chama de um índio Kaxinawá para um seringueiro:
“É motivo de satisfação, e demonstra que a aliança dos extrativistas brancos com os extrativistas indígenas, criada em 1985, continua forte até hoje” - Raimundo Mendes
Membro da etnia Kaxinawá, com de cerca de 7.500 habitantes no estado, Carls desenvolve um trabalho em sua aldeia para o manejo sustentável do pirarucu. “O trabalho de manejo na região de Feijó tem resultado muito importante para a renda e a preservação. Temos uma cota para ser tirada e mantemos uma parceria com o Ibama, eles acompanham tudo”, destaca Carlos Robenir.

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O índio Carlos Robenir Kaxinawá, que inseriu o manejo sustentável do pirarucu em sua aldeia, presenteou Raimundo Mendes, um dos principais ícones ativistas da Amazônia, primo de Chico Mendes, com um acessório típico de sua etnia.
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Rio Branco se mobilizou para ver o revezamento da tocha Olímpica e a cidade ficou com as ruas cheias. Até de dentro do ônibus deu para ver a chama passar.
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Aos 22 anos, Ariel Santos, é carateca e escritor, mas também quer ser político, músico, pintor e produtor de videogame. Portador de esquizofrenia e bipolaridade, ele viu no esporte uma saída para sua ansiedade. "Eu brigava com os meus amigos na escola. Agora fico esperando o dia da aula chegar." Ele foi um dos que mais curtiu a condução da tocha. "Olha que linda a festa dos amigos e família na passagem da tocha."
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Do vôlei e do ciclismo, conheceu o triatlo, esporte que pratica há 10 anos. A trajetória de Elissandro Valente, atual presidente da Federação de Triatlo do Acre, é um caso de amor. Que hoje atingiu seu ápice. "São duas noites sem dormir de tanta ansiedade", contou.
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A fachada da Escola Estadual Diogo Feijó ficou lotada de crianças que, animadas, esperavam a tocha Olímpica Rio 2016 passar.
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Acre nos Jogos Rio 2016
Por Leonardo Rui
A passagem da chama Olímpica por Rio Branco, capital do Acre, nesta terça (21), reuniu os dois principais nomes do estado para os Jogos Paralímpicos Rio 2016 a menos de três meses da competição: Edson Pinheiro, já classificado nos 100m (T38), e Jerusa Geber (T11), ambos do atletismo.
Ouro no Pan-Americano de Toronto, velocista Edson Pinheiro treina forte para fazer bonito no Rio. Morando agora em São Paulo, Edson treina de três a quatro horas por dia, de segunda a sábado.“Estou na expectativa de poder chegar nos Jogos Paralímpicos e brigar pelo ouro. Pretendo ter a melhor performance da minha vida”, torce.
Natural de Cruzeiro do Sul (AC), o atleta paralímpico vem de um ano cheio de conquistas. Em 2015, levou as medalhas de ouro e bronze nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto, no Canadá. Em novembro do mesmo ano, foi medalha de prata no Mundial de Atletismo, além de completar os 100m em 11s23, batendo o novo recorde das Américas. Essa foi a terceira medalha de Pinheiro na disputa – ele já havia conquistado dois bronzes em anos anteriores.
Além de buscar o melhor tempo, ele ainda busca superar um oponente especial: o chinês Jianwen Hu. “Ele é o meu principal adversário. No Mundial do ano passado, tinha treinado bastante e ele ficou em primeiro lugar. Fiquei feliz com a prata, mas estou treinando mais para ganhar dele esse ano”, conta Edson.
Participar de uma disputa esportiva de alto nível exige muito preparo físico, mas também muita preparação psicológica. Pinheiro entrega que, mesmo faltando mais de dois meses para a competição, não é fácil conter o frio na barriga.
“Me concentro no que estamos treinando e no motivo de estar lá. Pensamos em tudo o que a gente passou, isso ajuda a concentrar. Temos que focar no objetivo” - Edson Pinheiro
Já Jerusa se prepara para, em julho, buscar a vaga nos nos 100m, 200m e 400m (T11). "Momento único e de muita importância pra minha vida. Agradeço pessoal que estão sempre me prestigiando. Alegria sem tamanho", postou em seu perfil no Facebook.
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Preparador físico da Seleção Brasileira de judô em Atlanta 96 e Sidney 2000, Marcus Albuquerque é hoje professor do esporte. "Tem uma trilogia do sucesso no judô: treino, descanso e comida. Por isso trabalhamos junto com fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos o tempo todo." Ele contou quem são suas apostas de medalha para o Brasil nos Jogos. "A Sarah Menezes vai para o bi. Também aposto na Mayra e no Tiago Camilo, que já mudou várias vezes de categoria e é um super-homem", conta ele.
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Para Bruno Sá, condutor da tocha Olímpica em Rio Branco, a regra é clara: nada de desperdício, Luthier, ele produz instrumentos musicais com resíduos de madeira da floresta que seriam queimados.
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Jerusa Geber se prepara para, em julho, buscar a vaga nos 100m, 200m e 400m (T11) dos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Nesta sexta-feira (21), ela conduziu a chama Olímpica em sua terra natal: "Momento único e de muita importância pra minha vida", disse.
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Fabiana do Nascimento é um show de simpatia. Ela sofreu um acidente carro em 2010 e se tornou cadeirante. Mas não deixou os sonhos para trás. Hoje cursa o quarto período de odontologia e tem orgulho e falar que será a primeira dentista cadeirante formada em sua universidade. "Aos poucos vamos adaptando as aulas. Por exemplo a caneta, aquela máquina que faz um barulho que assusta as pessoas, é acionada pelo pé", explica ela. Fabiana estava nervosa em dobro na hora de conduzir. "Além de estar congelando de nervoso com a tocha, estou em semana de provas. Só amanhã são quatro e preciso estudar!"
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Em Rio Branco, tocha Olímpica Rio 2016 foi recebida com festa e danças típicas.
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Por mais acessibilidade
Edvânio Barbosa, de 34 anos, encontrou na cadeira de rodas elétrica uma nova forma de viver após ficar paraplégico em um acidente doméstico aos 13. Decidiu ir além: motivado pela falta de acessibilidade nas ruas de seu estado, criou o Capedac (Centro de Apoio à Pessoa com Deficiência do Acre).
Entre suas maiores conquistas está o Salte, serviço público de transporte gratuito porta a porta para pessoas com deficiência física severa. "Reduzimos o tempo de espera de cerca de três horas para 30 minutos para os ônibus acessíveis nos pontos. Ainda não é o ideal. Mas vamos chegar lá", contou.
Nesta terça-feira (21), Edvânio encontrou caminho livre ao percorrer, em sua cadeira, sua perna no revezamento da tocha Olímpica Rio 2016, que passa por Rio Branco, capital do Acre, em seu 50º dia de viagem pelo Brasil.

Edvânio abriu o revezamento da tocha em Rio Branco, capital do Acre (Foto: Rio2016/Andre Mourao)
Edvânio também tem uma história vencedora no esporte. "Quando resolvi sair de casa e viver, meu fisioterapeuta recomendou a bocha Paralímpica. Fui bem e, em pouco tempo, já era campeão amazônico", contou o atleta, que repetiu o feito e é tricampeão acreano no esporte.
Mesmo com tantas conquistas, Edvânio ainda não está satisfeito: "Além do trabalho com o Capedac, estou estudando para o vestibular. Quero fazer ciências políticas e estar mais preparado para defender as causas das pessoas com deficiência", completa.
Ele passou a chama Olímpica para a estudante Fabiana do Nascimento, também cadeirante:
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A turma de karatê da Universidade Federal do Acre compareceu com um grito de esperança Olímpica. Seu esporte é um dos cinco indicados para integrar a próxima edição do maior evento esportivo do mundo, os Jogos Tóquio 2020 - os outros são beisebol e softbol, escalada esportiva, skate e surfe.
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A criançada da escola Padre Peregrino foi em peso para as ruas para ver a tocha Olímpica passar por Rio Branco.
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Gilberto de Farias percorreu cerca de meio milhão de quilômetros em 142 países de bicicleta, viagens que foram relatadas em 16 documentários e 12 livros."Para quem rodou tanto, esses 200 metros são muito importantes. Eu me sinto um embaixador do Acre nos extremos do planeta. Por onde eu ando, levo a bandeira do estado", diz.
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O comboio do revezamento da tocha Olímpica Rio 2016 desembarca em Rio Branco. O trajeto começa no Parque Tucumã e termina às margens do Rio Acre, no calçadão da Gameleira. Acompanhe.
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Em Rio Branco, a tocha Olímpica cruza o Rio Acre pela passarela Joaquim Macedo, que passa ganhou decoração especial com os aros Olímpicos em homenagem ao revezamento. O mascote posou com uma das esculturas que representam o povo do Acre.
ter, 21 jun
Rio Branco, AC
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Trajeto
| Rua Cunha Matos - Seis de Agosto |
| Rua Boulevard Augusto Monteiro & Rua Guilhermino Bastos - Triângulo Velho |
| Rua Epaminondas Jácome - Centro |
| Rua Rei Jesus - Nova Esperança |
| Alameda Portugal - Jardim de Alah |