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O revezamento da tocha Olímpica passou o dia na capital de Tocantins. Conheça alguns condutores que foram destaque.
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Artilheiro e campeão indígena
Carregar uma tocha já foi um costume dos antepassados de Ismael Suzawre, índio da etnia Xerente. Depois, eles passaram a usar lamparina. E, desde o começo dos anos 2.000, a luz elétrica chegou à aldeia Porteira, em Tocantínia, a 75km de Palmas. Hoje, aos 28 anos, ele se orgulha de conduzir outra tocha, a Olímpica.
Ismael Suzawre conduz a tocha em Palmas (Foto: Leonardo Rui/Rio 2016)“Acho importante representar o povo Akwē Xerente no revezamento”, diz o campeão de futebol da primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, realizada no ano passado em Palmas. A capital do Tocantins volta a ter destaque no esporte neste sábado (11), quando recebe o Revezamento da tocha Olímpica Rio 2016.
Com seis gols, Ismael foi artilheiro na campanha vitoriosa da etnia Xerente, que venceu a seleção indígena da Bolívia na decisão nos pênaltis, após a final terminar empatada em 2 a 2. “Mas o jogo mais difícil foi contra os Kanela, do Maranhão, em outra fase”, lembra ele.
Ismael Suzawre mostra suas habilidades com a bola (Foto: Leonardo Rui/Rio 2016)Corrida da tora
Para treinar aos fins de semana, Ismael e os colegas viajavam até 30km para algumas das 67 aldeias que compõem a nação Xerente. “Quase todos da etnia jogam futebol, inclusive as mulheres, que foram vice-campeãs”, destaca.
A primeira edição dos Jogos Indígenas na história reuniu etnias de 23 países. Além de futebol, Ismael participou da corrida da tora e do cabo de força. “Ficamos em terceiro no cabo porque nos cansamos no futebol”, assegura. Para o artilheiro, o que vale nos jogos dos povos indígenas é a valorização da cultura: “A corrida de tora, por exemplo, nem vale medalha. Neste sentido, é um pouquinho diferente dos Jogos Olímpicos.”
Ismael Suzawre e o mascote Olímpico Vinicius (Foto: Leonardo Rui/Rio 2016)Recado para Neymar
No Rio 2016, Ismael torce pelo ouro do futebol, e manda um recado para Neymar, de craque para craque: “Ele é o cacique daquele time. Apesar de jovem, tem que saber liderar os colegas”, aconselha.
Mas a vida de Ismael não se resume ao futebol. De segunda a sábado, ele se desloca 25km e atravessa o rio Tocantins de balsa, para estudar. Ele cursa Serviço Social na Universidade Federal do Tocantins, na cidade vizinha, Miracema do Tocantins. “Quero dar um retorno para o meu povo, lutar pelos nossos direitos”, ressalta o Xerente, que enfrenta diariamente a discriminação. “Dizem que os índios são preguiçosos, que têm terra demais, mas se esquecem que os territórios indígenas são os mais preservados do Brasil.”
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Janildes Silva está indo para seu quarto Jogos Olímpicos, após Sidney, Atenas e Londres. Ela compete na modalidade ciclismo de estrada e representa o país em há 20 anos. "Já fui para vários Jogos, mas conduzir a chama Olímpica em meu país é muito diferente, é muita felicidade. Agora vou ao Rio com ainda mais entusiasmo e dedicação."
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Waikanosen é um atleta indígena da etnia Xerente que foi campeão estadual no futsal nos Jogos Escolares da Juventude. "É um momento único representar meu povo. Meu sonho é estar um dia nas Olimpíadas", diz.
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Caipiras do Borocoxó é o número um do ranking da Confederação Brasileira de Entidades de Quadrilhas Juninas. O grupo veio animar o revezamento da tocha Olímpica em Palmas. "Borocoxô é pra baixo. Nós somos o contrário, somos Borocoxó", dizem eles.
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O aposentado Alceu Catapan é pioneiro no desenvolvimento do esporte no Tocantins. Ele fundou a Associação Atlética Atenas depois de ficar empolgado com os Jogos Olímpicos da Grécia, em 2004. O projeto já ajudou na inclusão social de 2.000 crianças por meio do futebol. "Se eu não pude acompanhar as Olimpíadas de perto, elas vieram até mim", disse, acompanhado de sua família, que o esperou com uma grande faixa.
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Maurício Thomas Costa é médico cirurgião geral em Palmas e atende muitos pacientes todos os dias no serviço público de saúde. Sua rotina é de constante estresse e ele tem que estar o tempo todo muito concentrado. Para relaxar, ele pratica diversos esportes como tênis, basquete e corrida. "Fui indicado por alguns alunos da faculdade onde leciono. Isso me deixou muito grato. Me senti como se fosse um atleta", disse.
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Luiz Henrique Avila é ativista da comunidade LGBT e teve muito para superar na vida. Por ser homossexual, foi expulso de casa pelos pais aos 12 anos. "Quero que essa chama mostre ao mundo que todos devem ser respeitados. Luto para que outras pessoas não passem pelo o que eu passei", disse. Hoje, reestabelecido os laços com a família, ele tem um projeto para ajudar a comunidade gay na cidade.
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A chama Olímpica veio de Teresina a capital do Tocantins neste avião que acompanha o comboio por todo o trecho Norte do país. O piloto fez um discurso emocionado e todos chegaram bem em Palmas.
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O dentista Lucio Monteiro trouxe sua fantasia de Tochão direto de Goiás e vai passar o dia na capital de Tocantins atrás da tocha. Ele volta para casa na madrugada de domingo. "Dia dos Namorados, né?", disse. "Se eu não voltar, minha mulher briga." Lucio apareceu pela 1a vez de Tochão em Corumbá de Goiás.
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Exemplos em Palmas
Condutores da tocha Olímpica Rio 2016 em Palmas são exemplos nas áreas que resolveram seguir.
Rogério Rodrigues de Queiroz se dedica à canoagem há 20 anos em Tocantins, um estado com pouca tradição nos esportes aquáticos. Ele começou a se interessar pela canoagem depois de um passeio ecológico que fez em um caiaque. Logo na primeira vez, remou 70km, de Palmas a Lajeado. "Senti dor durante um mês. Mas me apaixonei pelo esporte de cara", lembra. Ele foi vice-campeão nos 200m na canoagem de velocidade, no ano passado, e será condutor da tocha.
Rogério é apaixonado por canoagem (Leonardo Rui/Rio 2016)Eduardo Vieira, de 14 anos, tem os movimentos nas pernas limitados, por causa de uma paralisia cerebral provocada por falta de oxigenação depois do parto. Mas ele faz questão de participar das aulas de educação física, que ajudam a melhorar tanto a coordenação motora quanto a socialização. Dudu é atleta de vôlei sentado e, por ser um exemplo para todos que convivem com ele.
Dudu é exemplo para quem convive com ele (Leonardo Ruii/Rio 2016)Luiz dos Reis é presidente da Associação Palmense dos Corredores de Rua e ajuda a realizar várias provas na cidade. O trabalho dele é fundamental para o sucesso do Circuito de Corridas de Rua, que caiu no gosto popular e atrai milhares de pessoas em Palmas.
Corrida de rua é a vida de Luiz (Leonardo Rui/Rio 2016) -
Em Palmas, a tocha Olímpica vai passar pela Praia da Graciosa, que fica bem ao lado da Ponte da Amizade e é famosa pelo lindo pôr do sol. A cerimônia de celebração do revezamento acontece às margens do Lago de Palmas.
sáb, 11 jun
Palmas, TO
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Trajeto
| Quadra 109 Norte Avenida Juscelino Kubitschek |
| Quadra 307 Norte Avenida Ns 5 |
| Quadra 102 Norte Avenida Lo 1 |
| Quadra 208 Sul Avenida Lo 3 |
| Quadra 404 Sul Avenida Lo 11 |
| Quadra 706 Sul Avenida Ns 04 |
| Quadra 1112 Sul Avenida Lo 27 |
| Avenida I |
| Avenida Tocantins |
| Quadra T31 Sul Avenida Tlo 5 |