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Lugares históricos, mulheres fortes, apresentações artísticas emocionantes. A passagem da chama Olímpica por Macapá, capital do Amapá, rendeu algumas das imagens mais tocantes do revezamento. Confira os destaques do dia!
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Aída Mendes, a 'Vovó Iaiá', encerrou o dia em Macapá com muita animação. Aos 107 anos, ela é a condutora mais velha a participar do revezamento. Cheia de energia, ela garante que não há idade para se praticar esporte: aos 100, entrou para o Guiness Book como a mais velha a saltar de paraquedas.
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Os grupos de dança Ghran, Amigos da Toada, Aguinaldo Santos e Coaracy Nunes se apresentaram juntos no palco da celebração antes de receber a chama Olímpica.
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Os alunos da Escola Estadual José Moraes de Castro prepararam cartazes para celebrar a passagem da chama Olímpica Rio 2016 por Macapá.
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Tetracampeão brasileiro de boxe, Nelson dos Anjos coordena o projeto Formando Campeões em sua casa, em Macapá, atendendo a crianças e adolescentes. "Eu faço o que posso, com o que tenho. Eu mesmo cozinho para os 74 filhos, como eu os chamo", contou.
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Cultura negra
Representantes da cultura negra de Macapá conduzem tocha Olímpica
Por Elis Bartonelli
Duas mulheres representantes da comunidade negra no Amapá conduziram a tocha Olímpica Rio 2016 nesta quinta-feira (16) em Macapá. A chama foi recebida na capital do estado com batuques e manifestações típicas, como o marabaixo, elementos que os descendentes de escravos têm para manter viva a sua cultura.
Especialista em história africana e cultura brasileira, Maria das Dores Rio2016/Fernando Soutello)Maria das Dores do Rosário Almeida, de 54 anos,é bisneta de escravos, é moradora do Laguinho, ponto de resistência negra da capital. O bairro tem diversos movimentos negros, duas escolas de samba e mantém vivas as tradições dos antepassados, como o marabaixo, a capoeira, música e cultos afro-religiosos.
Segundo ela, que é especialista em história africana e cultura brasileira, o estado do Amapá tem mais de 100 comunidades negras. Foi para dar voz à cultura desta etnia e às mulheres negras da Amazônia que ela ajudou a fundar a Rede Fulanas – Negras da Amazônia Brasileira e o coletivo Imena (Instituto de Mulheres Negras do Amapá).
“O mundo só vê a Amazônia do ponto de vista indígena. A população negra é inviabilizada dentro deste contexto. Temos um ressentimento do ponto de vista das políticas públicas. As terras indígenas aqui são demarcadas, mas apenas três das quilombolas são”, compara ela.
O trabalho de Maria das Dores é voltado, em especial, para o empoderamento feminino. Os dois institutos são focados em discutir os problemas comunitários e questões que afetam o dia a dia das mulheres negras, como sexismo, racismo, machismo. A questão racial rodeia a ativista por todos os lados.
Piedade Videira fundou a Companhia de Dança Afro Baraka, em 2000, que apresenta batuques e o marabaixo -dança que representa como os negros na senzala dançavam com as correntes nas canelas. Além de "dancadeira", como ela se define, ela psicopedagoga, mestre, doutora e autora de livros sobre essas manifestações culturais da região.
"Sou uma pessoa que, por mais que tenha esse currículo acadêmico individual, de vida, de superação, eu nem faço parte das estatísticas. Quero olhar para milhares de pessoas que sequer podem se tornar estatísticas porque sequer conseguem ser preservadas no seu direito constitucional de viver. Mas, mesmo assim, eu represento um exemplo de luta e eu sei disso. Porque sei que nós educamos pelo exemplo.
A diversidade do país, para Piedade, está nas pessoas e são elas que têm de ser o foco das atenções quando se fala em manter as tradições.
"Temos uma riqueza, não só de diversidade cultura, histórica, geográfica. A principal diversidade está nas pessoas. E nós precisamos investir mais nas pessoas, nas crianças, nos adolescentes. Aqui no Amapá, temos pessoas com muitas habilidades, com plenas capacidades, mas falta investimento. Falta acreditar, falta investir. Então, que essa chama olímpica, serve para queimar, no sentido de nos inquietar. Mexer com nossos brios, fazer com que a gente se indigne com todo o processo negativo de corrupção, de injustiças sociais para todas as pessoas consideradas como minorias numéricas", exclamou Piedade. "A outra forma de ver essa chama é na quentura, na plenitude, no que ela representa. Da energia, do afeto, do amor, da esperança, da união, da integração", declarou..
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Representando o povo da tribo Apalai Waiana, a índia Susana Waiana levou a tocha Olímpica para um passeio de bote sobre o Rio Amazonas durante sua passagem por Macapá.
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Crianças caminham "sobre" as águas do rio Amazonas em direção à imagem de São José, em Macapá.
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Com 874 vitórias e cinco títulos no currículo, Francisco Macedo, de 74 anos, é o atleta mais idoso em atividade no Amapá. Ele dá conselhos para quem quer começar a praticar um esporte. "Procure um bom treinador, treine diariamente e, ao se dedicar, ele chega lá".
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Roberto Marinho já foi atleta da seleção brasileira de remo. Formado em medicina, foi médico da delegação brasileira nos Jogos Paralímpicos de 2008 e agora é coordenador médico do COB para os Jogos Rio 2016. Faltando 50 dias para começarem os Jogos, ele dá uma dica valiosa para os atletas evitarem lesões de última hora. "Não inventem! Sigam a rotina, sem querer forçar na reta final para chegar mais longe", disse o médico que parou para tirar fotos com crianças do bairro Pacoval.
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Maria das Dores do Rosário fundou há 16 anos o Imena, grupo que batalha por políticas públicas para mulheres negras no Amapá. "Carrego a tocha hoje pelas mulheres negras ancestrais, pelas presentes e pelas mulheres negras futuras do Amapá, da Amazônia, do Brasil e do mundo", declarou.
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De um revezamento para outro
Momentos após conduzir a tocha Olímpica em sua terra natal nesta quinta-feira (16), Macapá, o ex-nadador Jader Souza já está na expectativa para outro revezamento do Rio 2016: o que vai acontecer nas raias do Estádio Aquático Olímpico, em pouco mais de 50 dias.
Mesmo fora das piscinas, Jader garante que está na torcida pela equipe brasileira no 4x100, prova que lhe rendeu o melhor resultado da carreira: o ouro pan-americano, nos Jogos Santo Domingo 2003. “Essa geração que está vindo é uma das melhores. Não só o revezamento, mas todas as equipes são muito fortes e têm grandes nomes. Eles vieram com resultados muito expressivos nas últimas competições que acompanhei e, se forem repetidos, podem dar medalha”, avalia.

Em Macapá, Jader conduziu a tocha Olímpica 12 anos após disputar os Jogos - em 2004, em Atenas, ele compôs a equipe brasileira do revezamento 4 x 100, ao lado de Gustavo Borges, Fernando Scherer e Carlos Jayme -, e lembrou dos tempos de atleta.
“De alguma forma, estamos contribuindo com os Jogos. Estamos vivendo os Jogos, é indescritível ver a população da cidade, a criançada, correndo junto comigo".
Mesmo sem nunca ter ocupado um lugar no pódio Olímpico, o atleta só tem boas lembranças da carreira de atleta. “Se não fosse o esporte, não teria conhecido todos os lugares que eu conheço. Não teria conhecido Gustavo Borges, o Xuxa. Não teria aprendido as coisas que eu aprendi, nem saído do meu estado. Não teria tantas histórias pra contar”, enumera o ex-atleta, que também conduziu a tocha Pan-americana em Santo Domingo.

Jader durante participação nos Jogos Atenas 2004 (Foto: CBDA)
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Ex-jogador de futebol, Raimundo Miranda, 53, foi oito vezes artilheiro no campeonato amapaense. "Uma vez, na final, dominei a bola em um hemisfério e fiz o gol no outro", contou sobre partida disputada no Estádio Zerão, cuja linha de meio-de-campo coincide com a do Equador.
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Dançarinas do quilombo Curiaú receberam a chama Olímpica em Macapá e fizeram uma bonita festa.
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Crianças são sempre as mais animadas na espera da passagem da tocha Olímpica. Em Macapá, esses pequenos esperaram o revezamento na saída da escola.
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Na Casa do Forno, no quilombo Curiaú, a cantora Patrícia Bastos conduziu a tocha em uma canoa. Durante a condução,encantou o público presente com trechos da canção 'Aonde tu vai rapaz'. "Levo a música para o mundo carregando a cultura nosso povo".
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As dançarinas do grupo Devotos de São José celebram, com muito gingado, o dia do marabaixo à espera da chama Olímpica no Aeroporto Internacional de Macapá.
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A chama Olímpica completa seu 45º dia de viagem pelo Brasil conhecendo a capital do Amapá. Em Macapá, o revezamento passa pela bela Fortaleza de São José, que fica às margens do rio Amazonas.
qui, 16 jun
Macapá, AP
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