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10/06/2011

O Atletismo ontem e hoje na visão dos brasileiros

Uma análise do panorama do esporte no Brasil e no mundo pelos olhos de dois ex-atletas olímpicos estudiosos do assunto

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Atletismo na visão de dois especialistas: profissionalização (Foto: Foto: Getty Images/Ezra Shaw)

Dois dos grandes nomes do atletismo brasileiro, Agberto Guimarães e Robson Caetano tomaram rumos distintos após encerrar a carreira nas pistas. O primeiro, com três edições de Jogos Olímpicos na bagagem (de 1980 a 1988), optou pela administração esportiva. Hoje, é Diretor de Esporte do Comitê Organizador Rio 2016. O segundo, o maior velocista brasileiro da história, número 1 do mundo nos 200m rasos no fim da década de 1980, é formado em educação física e jornalismo, e atualmente é comentarista de atletismo para uma rede de televisão brasileira. Participou de Jogos Olímpicos entre 1984 e 1996.

Convidados pelo Site Oficial Rio 2016 a analisar as mudanças no esporte que os alçou a mitos no Brasil, Agberto e Robson deram as seguintes entrevistas:

Trajetória do esporte nas últimas três décadas

Agberto Guimarães– “Atletismo é um esporte muito difícil de se mudar. Acho que o que mudou muito no mundo inteiro foi o fato de a Federação Internacional de Atletismo ter oficializado o pagamento de prêmio em dinheiro para os atletas. Inclusive pagando em seus campeonatos mundiais prêmio em dinheiro para os primeiro, segundo e terceiro lugares.

Outra coisa que mudou muito, mudou o destino do Atletismo, a cara do Atletismo e o interesse pelo Atletismo foi a criação das Ligas de Diamante, de Ouro, que dão prêmios de até um milhão de dólares no fim da temporada”

Amadorismo e profissionalismo

Robson Caetano– “É muito importante, para qualquer pessoa, fazer o que gosta. Fazer por prazer. Eu gostava de jogar bola. Quando descobri o atletismo, fiquei encantado com o esporte. É um esporte democrático. Entendi que podia chegar mais longe com ele. O que atletas de ponta como os jamaicanos – que dominam as provas de tiro curto - têm é o espírito amador. É a irreverência, o gostar de viver aquilo.

Não é mais amador por conta de o treinamento não ser mais empírico. Com a internet, a informação chega mais fácil. Simplifica para os treinadores aplicarem treinos específicos para cada atleta, com técnicas profissionais.”

Evolução dos recordes

Robson Caetano– “Acredito que há pouco a avançar em termos de material humano, de atleta. O que fará os recordes caírem será o material utilizado na competição. Desde o material esportivo, das roupas mais coladas ao corpo, calçados mais leves, até a composição do material da pista, mais aderente, menos aderente, a qualidade dos blocos de partida, da tábua de salto, enfim, de todos os elementos que complementam a participação do atleta.”

Atletismo brasileiro

Agberto Guimarães– “Quando comecei minha carreira (1975) e competia aqui, o Brasil tinha três pistas sintéticas: uma no Ibirapuera, em São Paulo, uma no Célio de Barros, no Rio de Janeiro, e outra em Brasília. Eram as três únicas pistas. Foi assim por muito tempo. Só em 1979, 1980, foi feita uma pista em Curitiba e São Paulo teve uma segunda pista, que foi o Centro da Prefeitura.

Hoje, você tem pistas de boa qualidade espalhadas por praticamente o país inteiro. Segunda mudança: aquisição de equipamentos esportivos de última geração. Vários locais no Brasil têm, inclusive Belém, que tem uma pista em um estádio de futebol onde se realiza uma etapa do Grand Prix e que tem equipamentos de primeiríssimo nível.

Outra mudança aqui no país é você não precisar sair do país para competir em competições de bom nível de organização. Outra coisa que mudou radicalmente, não só para o atletismo, mas para outros esportes, é o acesso ao patrocínio.

A primeira vez que eu recebi patrocínio no Brasil foi depois de ter sido finalista dos Jogos Olímpicos em 1980, ter sido quarto e quinto lugares. Até então, zero de patrocínio. Eu tinha fora do Brasil, da universidade [nos EUA], de uma marca esportiva que me ajudava, ganhava algum dinheiro nos meetings que eu competia, mas não tinha patrocínio no Brasil. Isso mudou muito.”

Robson Caetano – “Em termos de estrutura, não há dúvida alguma de está muito melhor. Em termos de base para o esporte, de desenvolvimento de novos talentos, ainda deixamos a desejar. É necessário um programa escolar para o atletismo. As peneiras para achar novos talentos precisam acontecer na escola, para que depois estes jovens sejam levados para centros de treinamento de excelência, como os que estão sendo construídos.

Na minha carreira, cheguei a participar do JEB (Jogos Escolares Brasileiros), que hoje são as Olimpíadas Escolares. É o caminho que precisa ser seguido: massificar o esporte nas escolas.”

Transição para a vida de ex-atleta

Robson Caetano– “Quando compete em alto nível, o atleta tende a achar que é invencível, indestrutível, imortal. A marca do atleta ficará para sempre, mas a carreira termina. Ele sai do centro do picadeiro para a plateia. No espetáculo do esporte, ele para de receber e começa a pagar para participar como espectador.

Hoje, ganha-se muito mais do que na minha época. Fui o melhor do mundo na minha prova, conquistei resultados em provas internacionais e muitas vezes nada se ganhava. Hoje, um atleta pode chegar a receber 100 mil dólares em uma competição a nível mundial. A conscientização é necessária, porque o dinheiro não entrará para sempre. Investir o que ganhou, pelo menos em parte, em educação, é essencial, como eu fiz. Fazer cursos, se preparar. É importante lembrar que a vida segue depois das pistas”

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