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30/03/2012

Inspiração e transpiração: o Pentatlo Moderno no Brasil

Entre as dez melhores do mundo, Yane Marques é a referência para o crescimento do esporte no país do Rio 2016™

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Yane Marques mira o alvo no evento combinado (Foto: Foto: Divulgação/CBPM)

O carioca William Muinhos tinha 13 anos de idade quando viu pela televisão a comoção em Afogados da Ingazeira, município de 35 mil habitantes no sertão de Pernambuco, na região Nordeste do Brasil, terra do seu avô. O ano era 2007, e a mais famosa das afogadenses, a pentatleta Yane Marques, comemorava a primeira medalha de ouro do Brasil no Pentatlo Moderno na história dos Jogos Pan-Americanos.

Era o primeiro contato do menino com o esporte imaginado pelo Barão Pierre de Coubertin, fundador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, baseado na lenda do mensageiro. Consta que, durante as invasões napoleônicas na Europa, no início do século XIX, um mensageiro foi encarregado de levar um aviso além das linhas inimigas. Ele deveria estar preparado para montar um cavalo desconhecido e, uma vez abatido o animal, poder nadar e correr o mais rápido possível até seu destino. Para combater os rivais, precisava ser capaz de atirar e se defender com sua espada.

Talvez pela falta de invasões, guerras ou ameaças, fato é que nem a lenda, nem o esporte, eram praticados sistematicamente no Brasil até a década de 1990, salvo por alguns poucos amantes das cinco disciplinas que compõe o complexo arranjo de exigências físicas e mentais: a natação, a corrida, a esgrima, o hipismo e o tiro.

Com a vitória de Yane Marques, ela própria fruto do trabalho de um major do Exército e técnico apaixonado pelo esporte, Alexandre França, o Pentatlo chegou, pela primeira vez, aos grandes veículos de comunicação do Brasil. O resultado apresentou o esporte ao país dos Jogos Pan-Americanos Rio 2007 e dos Jogos Olímpicos Rio 2016™.

“A estrutura que já está parcialmente montada para 2016 na região de Deodoro é legado do Pan, mas o que aquele grande evento deixou de mais importante para o Pentatlo no Brasil foi a vitória da Yane. Mais atenção da mídia, logo do público, gera maior conhecimento e mais recursos. A diferença da preparação que tivemos para Pequim 2008 em relação a Londres 2012 e, futuramente, Rio 2016™, por conta dos mais diversos recursos disponíveis, financeiros, científicos, de intercâmbio, é abissal. É uma curva crescente vertiginosa”, afirma França.

Sonhar com pés no chão

Projetos estruturados no Recife, capital de Pernambuco, e no Rio de Janeiro preparam jovens atletas para um futuro promissor como o de William Muinhos. Representante brasileiro nos Jogos Olímpicos da Juventude Cingapura 2010, ele faz a difícil transição das categorias Jovem A e junior para a categoria sênior, que reúne os atletas adultos. Há três anos praticando o esporte, disputa suas primeiras competições entre campeões olímpicos e mundiais.

“Hoje, no Brasil, sou um dos melhores atiradores. No Mundial de Jovem A, eu fui o melhor atirador. E meu treinador sempre fala: ‘Você acha que a Yane não fica lá, de noite, fazendo o isométrico dela (ficar segurando a arma)?’. Com certeza, faz. Então, a gente vai descobrindo uns segredozinhos assim e vai tentando repetir”, comenta a maior promessa dos brasileiros para 2016.

Entre as dez melhores do ranking mundial, Yane Marques tem objetivos a prazos mais curtos. A medalha em Londres 2012 é um sonho com pés no chão. Chegou a estar em terceiro no ranking no ano passado. Ciente da posição de referência em um país cujo potencial de crescimento esportivo é um dos maiores do mundo, trilha seu caminho em um terreno já sólido, que ela própria construiu.

“Quando comecei, não havia atletas profissionais aqui, só um ou outro que treinava por prazer, amadorismo no sentido puro. Vim da natação, fui melhorando meus resultados nas outras disciplinas e apostando mais na carreira. Hoje, meu trabalho é voltado para Londres. Acho que todas as 36 classificadas têm chances. Tudo pode acontecer. Já vimos atletas dominarem as primeiras provas e caírem do cavalo nos saltos, despencando na classificação. A vitória depende de muita coisa. Só o que eu posso prometer é muito trabalho e determinação”, diz a atleta de 28 anos. “Para Rio 2016™, tudo o que eu quero é estar lá. Nada será mais valioso”.

Para Alexandre França, identificar o bom nadador é o primeiro passo para estimular a prática do Pentatlo Moderno. Se não houver fobia de cavalos, é possível ensinar as outras disciplinas por fases, degrau por degrau. No Brasil do Rio de Janeiro e de Afogados da Ingazeira, sem disputas ou invasões, os maiores recursos são humanos. Sair do zero e chegar ao topo é mensagem corriqueira, que continua a ser levada com paixão.

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