Fotografar amplos cenários a partir de um ponto alto é um trabalho complicado. Fazer fotografias aéreas seja pendurado, erguido ou voando é sinônimo de trabalho árduo e semanas de estudo. Recentemente, tive algumas experiências como fotógrafo para fazer o que chamo de “uma viagem com a câmera voadora”.

Brincadeiras à parte, a fotografia começa muito antes do clique. Para fazer uma foto dessa, é preciso planejar toda a operação e pensar em cada detalhe - todos os erros têm de ser expurgados.

Há cerca de duas semanas, sobrevoei a Cidade Maravilhosa em busca de imagens que mostrassem a evolução da construção das nossas instalações Olímpicas. Tudo começou meses antes, desde o agendamento do helicóptero à organização da saída.

O estudo meteorológico é fundamental para realizar fotos aéreas, então tivemos que encontrar o dia e hora perfeitos para a situação. A segurança é outro ponto muito importante, pois nesse caso, eu teria que fotografar com a porta do helicóptero aberta. Sim, existe a sensação de perigo eminente e aquele frio na barriga, mas logo passa. A vontade de fotografar é mais forte do que isso - e lá vamos nós!

Passamos pelo Estádio Olímpico, pela Vila Olímpica e Paralímpica e pelo Parque Olímpico da Barra em poucos minutos. Os deslocamentos do “pássaro de ferro” são rápidos e abruptos, ainda mais nesse tipo de voo que o tempo é curto e precioso demais.

vista aerea estadio olimpico

aerea vila olimpica

aerea parque olimpico rio 2016

Já para realizar a foto que celebrou o marco de dois anos para os Jogos Olímpicos, tivemos que pensar em uma abordagem totalmente diferente. O projeto se fundamentou em um plano onde eu tinha que enquadrar, em uma mesma foto, cerca de 1000 funcionários - que, juntos, formavam o número dois -, além de mostrar a arquitetura do Sambódromo e a estátua do Cristo Redentor ao fundo. Tudo perfeitamente calculado, sem erros.

A primeira visita aconteceu um mês antes, quando levamos em consideração o cenário que tínhamos para trabalhar, o tamanho das arquibancadas, o posicionamento do sol para controlar as sombras, o ângulo da foto em união com a altura determinada e, claro, a lente ideal para fazer a foto. Aí é subir no “carvalhão” e fazer o clique.

 

Para fechar essa trilogia de muita aventura, o nome da foto já diz tudo: “Nos braços do Senhor”. É isso mesmo, não satisfeito de já estar no alto do Morro do Corcovado, eu cheguei aos ombros da estátua do Cristo Redentor, um dos principais símbolos do Rio de Janeiro. Precisei de uma lente especial, chamada “fisheye”, pois a minha ideia era fazer o Cristo “abraçar” toda a cidade.

 

Bom, espero ter elucidado na compreensão dessas missões. São trabalhos em que temos que sempre levar em consideração o profissionalismo de todos os envolvidos, pois tudo deve ser feito em conjunto, afinal, "uma andorinha só não faz verão". Sem todas as pessoas que me ajudaram em cada uma dessas missões, com certeza, essas fotos não sairiam. Não há espaço para brincadeiras e descumprimentos de regras, principalmente se estamos falando de segurança. Tudo é muito sério e tem que ser pensado, pensado e repensado.

 Até o próximo clique!